27 de dezembro de 2008

O que eu me dou de presente de natal?






Natal taí, quer dizer, já foi e eu, trabalhadora do Brasil, resolvi que preciso, devo, mereço me dar um presente. Mas o que?




a) Sanfona de Criança

Pontos positivos: eu sempre quis tocar sanfona, mas sanfona é caro. Já essa de criança não.

Pontos negativos: é difícil tocar, ainda que de criança.









b) Pandeiro de couro


Pontos positivos: eu sempre quis ter um pandeiro.

Pontos negativos: não é tão fácil de tocar como eu previa.







c) Plasma Ball


Ponto Positivo: É a coisa mais legal do planeta!

Ponto Negativo: Não tem lá muito utilidade.










d) Nenhuma das alternativas anteriores. Guarde seu dinheiro para uma coisa útil.

16 de dezembro de 2008

Post Picareta II


Desculpem, eu não resisti.


12 de dezembro de 2008

Seja um cliente legal. Curso avançado em 5 lições



Eu fico de 6 a 12 horas por dia atendendo pessoas. Chato? Pois é. Some aí, pessoas com fome. Pessoas com fome são tão irritadiças como uma mulher na TPM, ou um homem na seca, então calcule, centenas de histéricos e impacientes, juntos, mais seus filhos mimados. Bem vindo ao meu mundo.

Eu sei que você aí almoça fora, janta fora ou toma ao menos um café na padaria, portanto, atenção nas dicas.

1- Não diga estou com pressa ou quanto tempo demora
Por que não comeu sanduíche de mortadela em casa então, amigo? Um ovo frito? É o ônibus, o horário do cinema, crianças passando mal ou qualquer outra mentirinha e você espera que mudem toda a dinâmica da cozinha e passem seu pedido na frente? Ok. Nós mentimos pra você também e dizemos que já está saindo.

2- Não peça chopp sem colarinho ou suco sem gelo.
Dois clássicos do cliente pão-duro. Ele teme tanto ser roubado que prefere tomar um chopp mais amargo e um suco quente. Não fique triste se um garçom não atender você direito, é que ele sabe que você não vai pagar os 10% e ainda vai querer explicação detalhada de cada vírgula na conta.

3- Facilite na hora de pagar uma conta conjunta
Você senta na mesa com os amigos do trabalho, bebe, bebe, bebe, come e manda fechar a conta. Vocês dividem lá entre vocês e trazem o dinheiro pra mim. Certo? Errado. Você pede pra tirar 5 de 10, passar 20 no cartão, 15 de 50, e por aí vai, para minha total confusão e fim das minhas moedas. saiba que nesse momento eu assassino vocês em pensamento.

4- Tenha paciência
Geralmente comidas são feitas por pessoas, e pessoas erram. Não faça uma guerra só porque você pediu sem orégano e veio sem cebola. Você quer o que? Que matem o cozinheiro a pauladas? O máximo que podemos fazer nesses casos é pedir desculpas e trocar para você.

5- Eduque seus filhos
Eu adoraria dar um tapa na mão do seu filho toda vez que ele pega uma coisa que não é dele, mas não pegaria bem, então eduque você. Dica: falar não  também costuma funcionar.

8 de dezembro de 2008

Sobre bebês mortos

Todo mundo me pergunta (duas pessoas) o porquê do nome Umbigo Roxo. Por que não “Blog da Marcela”, ou “Marcela Prado”? Pois bem, eu coloquei esse nome por causa dos meus avós. E não, eles não têm hérnia no umbigo.
Foi assim, eu estava indo almoçar com minha avó Natália (Natalícia na certidão) e meu avô Lázaro (Lázo para os íntimos), e ao passar por uma opção de restaurante notamos que ele estava vazio. Era um restaurante novo e com uma boa infra-estrutura, mas estava vazio. Minha avó vira para meu avô e diz: “ Esse aí já nasceu com o Umbigo Roxo”. Ele concorda: “ É, já nasceu com o umbigo roxo”. O que? Como assim “umbigo roxo”? Então eles me contaram que é uma coisa que não vai durar. Vem de quando um bebê nascia com o umbigo roxo, sinal que não iria sobreviver.

Chocados? Muito mau gosto falar de bebes mortos? Não vão mais voltar nesse blog macabro? Gente, antes do meu avô nascer, minha bisavó perdeu outros cinco filhos. Minha avó também perdeu inúmeros irmãos. Para eles isso é normal. A vida é assim. Simples. Direta. Ou é, ou não é e bola pra frente. Acho bonita a forma deles de encarar o mundo, sabe? Sem meias palavras. Fora que umbigo é tão blog, né? E um umbigo que vai acabar? Blogs estão sempre prontos para acabar. Na verdade, tudo está sempre pronto para acabar, para morrer, até quem acabou de nascer.

Por que só agora eu resolvi falar sobre isso? Porque ontem foi aniversário do meu avô e eu fiquei com vontade de contar essa história, de contar o quanto ele é importante para mim, o quanto ele me influenciou ao longo da vida e influencia até hoje.
Vem dele minha adoração por frutas e ervas. Era ele quem descascava minhas laranjas, quem colhia as amoras, quem comprava as melhores bananas-maça, que pareciam de mentira de tão pequenas e saborosas. Ele que buscava erva-doce ou erva-cidreira para nossos chás com bolinhos de chuva, e tantas outras ervas, que ele plantou no terreno fundo do prédio, que antes dele chegar era um depósito de lixo. Hoje tem babosa, tem jabuticaba, tem arruda, tem hortelã, tem taioba, tem boldo, tem chuchu, tem melissa, tem tudo. E por falar em tudo, quando eu acho que sobre ele eu já sei tudo, ele pega meu violão e tira um dó, um ré. Mas Vô, você sabe tocar violão? Sim, ele sabe. E me conta que seu pai era mestre de folia de reis, e várias outras coisas que eu não fazia a menor idéia.

7 de dezembro de 2008

Sobre auto-ajuda


Já que a moda é post picareta, vou entrar na onda.
E esse quadrinho vem tão a calhar...


(clique na imagem para ver melhor)

3 de dezembro de 2008

Sobre homens e balacobaco

Nas nossas noites de vinho, eu e minha amiga Rosma sempre falávamos sobre borogodós, balacobacos e balangandãs. Ah, ele não é bonito, mas tem balacobaco. Balacobaco? Meu amigo Kenan não entendia. Mas como assim balacobaco?
Não sabíamos explicar. Não tem a ver com altura, peso ou cabelo. É algo que se nasce, sei lá. Ou tem ou não tem. Simples assim. Só sabíamos que quando um homem com balacobaco chega, as mulheres estremecem. Chame de macho alfa se preferir.
Como na vida adulta sexo e homem são assunto recorrente, no último fim de semana eu e Carol chegamos ao mesmo consenso: um homem não precisa ser bonito para ser sedutor, e a sedução masculina não tem nada a ver com um homem todo arreganhado em uma revista. Aliás, é péssimo isso, concluímos.
Ficamos falando quais homens não tinham nada demais, mas gostávamos, então a Carol quis me mostrar o vídeo de um cara que ela acha o máximo, mas que não deve passar de um baixinho feio.
Eu confesso que esperava o pior, visto que a Carol usa azul cintilante nos dedos e brincos em formato de parafuso, mas não é que era justo um clipe que eu adorava ver?É um clipe da Shakira. Eu não gosto da Shakira, mas esse clipe...esse clipe eu gosto. Guardei na mente como “o clipe dos tomates”.
A Carol achou estranho, pois não se lembrava de nenhum tomate. Fomos passando, meio pulando pedaços, tentando achar os tomates. Não, não tinha tomate. Só cebolas e lama. Estranho. Olha de novo.
Mas Marcela, só tem um pedacinho que mostra uns tomates.
Agora por favor, assistam o clipe com atenção e me digam, é ou não é o clipe dos tomates? É ou não é a melhor cena do clipe? E é ou não é um rapaz cheio de balacobaco?

dica: 2:42 a 2:27



29 de novembro de 2008

Você no meu Google Analytics


Na minha opinião, a coisa mais legal que inventaram no mundo bloguiano foi o google anatytics. Tá, tá tá. Eu sei que já existiam outros, mas eu não conhecia, então que se danem.
Para quem não sabe, o Google Analytics mostra relatórios de visitas ao blog, diz quantas pessoas visitaram, de onde são, quanto tempo ficaram, de onde vieram e o melhor de tudo, porque vieram, revelando a palavra ou frase que eles procuraram no google até cair no seu blog. Essa é a primeira coisa que eu procuro quando entro no analytics, a sessão de palavras-chave. Eu escrevo algo como Brad Pitt aqui, e pronto, amanhã eu fico sabendo que tantas pessoas caíram aqui pesquisando sobre o assunto. Não é super divertido? Bem, eu acho.
No meu antigo blog, por muito tempo a palavra campeã era batomuche. Gente, por que as pessoas querem tanto saber de um acidente no mar? Morbido, não? Mais tarde eu escrevi um textinho que falava de sexo com legumes e nossa, sexo com legumes liderou o ranking, continuando firme até o fim do blog.
Como o Umbigo Roxo é um blog de familia, não tem nenhuma palavra-chave sexual na liderança, só algumas pesquisas perdidas, como sobre feira de sacanagem , outra de homem de fio dental e sobre a Marcela Prado. Por onde andará Marcela Prado, a filha de Marcela Prado, Marcela Prado pelada, e também o nome correto, Marcella Prado, com a consuante dobrada, minha xará, coelhinha da playboy, garota fantástico, ex-namorada o Airton Senna, com quem (dizem) teve uma filha.
Será que eu passo a usar Marcela Paiva? Demorei tanto até optar pelo Prado.

Abaixo outras pesquisas um tanto inusitadas que apareceram por aqui:

  • a uva roxa tira a vontade de vomitar
  • o que fazer para afundar o umbigo do meu filho
  • como humilhar uma pessoa em cinco dias
  • dançando na chuva de papai noel
  • foto umbigo homem com hernia
  • umbigo embolorado
  • patentear o milho roxo
E eu fico em casa rindo da mãe desesperada com um inofensivo umbigo saltado.

16 de novembro de 2008

Sobre os mistérios do mundo


Eu adoro essa músicas, mas...




o que é esse tal ive brussel?

10 de novembro de 2008

Sobre carências


Agora eu tenho um amigo mudo. Ele me liga de um número inibido e não fala nada. Eu deixo o telefone ligado, e ele fica lá, ouvindo, ouvindo, volto depois de meia hora e ele ainda está lá, tadinho. Carente o menino. Ou a menina.
Hoje meu telefone tocou e logo vi que não era da minha agenda. É o Mudinho, pensei, mas eu atendi e falaram comigo.

-Alô. Quem ta falando?
-Marcela.
-Oi, Marcela. Aqui é o Eduardo. Você deixou seu telefone agora na internet?

 Corri na mente todos os Eduardos que eu conhecia, e nenhum tinha aquela voz.

- Acho que deve ser um engano.
- Mas você não estava na internet agora?
-Não.( Milagrosamente eu não estava mesmo)
-Onde você está? Em Varginha?
-Não, em Poços de Caldas.
-Ah, ok. Foi um engano então, desculpe.

 Enquanto eu falava com o tal Eduardo a minha chamada em espera tocou. Atendi, era uma ligação a cobrar. Desliguei. Chamou de novo. Resolvi atender.

- Oi, você deixou seu telefone na internet. Desculpe ligar a cobrar, mas eu estava viajando, e...
- Eu não deixei meu telefone na internet.
-Ah, desculpe então.

Fiquei com a pulga atrás da orelha. Por que dois homens ligariam assim, ao mesmo tempo? Resolvi retornar para o tal Eduardo para tirar satisfação e a história vocês já devem imaginar. Alguém entrou em um bate-papo e escreveu  “Quero sexo. Me liga agora, número tal”. Legal, né?
Conclusões dessa história bizarra:

 1º - Alguém me odeia. E esse alguém tem meu celular. Talvez seja o meu amigo Mudinho. Ou melhor, meu inimigo Mudinho.

2º- Tem gente carente e desesperada no mundo. Mais do que eu, mais do que você, mais do que o Mudo. Basta uma promessinha de prazer e pronto. Não é a toa que perdem rins por aí.

 

8 de novembro de 2008

Sobre quintais e amoras

Eu vou pouco ao meu quintal. Talvez eu vá uma vez a cada dois meses, algumas épocas menos. Acho que já cheguei a ficar mais de um ano sem pisar lá. Olho aqui de longe, da varanda, vigio, mas não vou.
Ontem eu fui e foi bom. Notei que as mudas de hortelã que eu plantei finalmente pegaram, que meu pé de melissa cresceu bastante e que infelizmente passou o tempo das amoras. Fiquei triste porque eu mal tive tempo de comê-las.
Opa! Não tive tempo de comer amora? Como assim? Eu passei horas no msn, no twitter, no orkut, assisti tv e não tive tempo de comer amoras?
Claro que eu tive. Assim como eu tive tempo para ver meu amigos, ver meus avós, de tomar um banho demorado, de ler um bom livro, o que for, mas não o fiz. Então assumo minhas escolhas, certas ou erradas, e digo " eu não fiz porque não quis"? Claro que não. Eu prefiro por a culpa na vida, no tempo, no trabalho, no sistema, na minha mãe, ou seja lá em quem for conveniente.



* foto: Gato Frank Sinatra, que sempre vai ao quintal.

7 de novembro de 2008

Qual seu maior sonho?





Meu maior sonho é ter uma casa própria, respondeu o pai de família.

Ser piloto de avião, sorriu o menino.

O meu é ir ao banheiro todos os dias, suspirou a moça.

4 de novembro de 2008

A Sete Chaves




Lembra quando você era criança e sempre surgia o assunto “quem você gosta”? Ele tinha mais ou menos a mesma importância do assunto “quem é seu melhor amigo”.
Todo mundo gostava de alguém, o colega de sala ou o menino da rua, e assim, sem entender nada sobre amor e sobre relacionamento íamos seguindo.
Era um segredo guardado a sete chaves. Contávamos no máximo para nossa melhor amiga e, ainda assim, após juras que envolviam nomes divinos e nossas mães mortas atrás da porta.
Depois de alguns anos chegou a brincadeira do beijo e começamos a colocar nosso afeto em prática, mas não, não era o fim dos segredinhos. As brincadeiras de pêra-uva-maça-salada-mista geralmente aconteciam nos fim das festas ou garagens dos prédios, com poucos participantes, ou melhor, poucas testemunhas. No outro dia rolava a fofoca de quem beijou quem, se foi de língua ou não e quantos minutos durou.
Com a bagagem de algumas saladas mistas, o beijo começou a não ser mais motivo de fofoca, agora todo mundo “ficava” e era na frente de todo mundo mesmo, nos shows, nas festas, na porta da escola. Mais tarde alguns ficantes começaram a namorar. Pronto, começou o boato que aqueles dois haviam feito sexo. Sério? A Ana não é mais virgem? Não sei, ninguém sabe. Mas imagina se os pais descobrem? E os pais descobriam, alias, todo mundo descobria, afinal estava todo mundo transando.
Com namoros somados, e algumas (loucas) até casamentos, conversamos sobre sexo como quem fala do preço da laranja. Falamos livremente sobre a primeira vez, posição favorita, número de parceiros, sobre a freqüência (ou a falta dela), o que leva nos leva a acreditar que não temos mais o que esconder, mas quem disse?
Basta perguntar sobre gostamos para surgir uma máquina do tempo que nos leva diretamente para primeira série, porque sim, apesar de ficar com aquele, ou ter feito sexo com aquele outro, acontece de gostar de um terceiro e não gostamos de sair por aí assumindo esses sentimentos. E não, não há caipirinha de kiwi que nos leve a dizer se já esquecemos, se amamos ou não, ou o que escrevemos naquele e-mail, não sem antes jurar pela mãe morta atrás da porta.
p.s: não mais, não mais...

1 de novembro de 2008

O Santo das Causas Impossíveis





Eu queria acreditar em Deus, santos e promessas, mas não consigo. Foi o que eu disse para a moça que me aconselhou a fazer um pedido para São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis. Ela insistiu, que mal faria? Resolvi tentar, mas o que eu poderia prometer? O que São Judas, lá do alto de sua nuvem, acharia realmente esforçado para mim? Não comer chocolate, sorvete ou carnes? Ir pelo estômago é muito clichê, pensei. Nem ele deve agüentar mais essas promessas de mulherzinha.
Cogitei em não entrar mais na internet, o que seria realmente difícil para mim, mas não sei qual o pé de modernidade de São Judas. Talvez ele não considere uma promessa legítima. O que São Judas entende de orkut, blogs, msn. blip, twitter e etcs? Vai me dizer que ele tem perfil no facebook? Se sim, talvez seja mais interessante mandar um e-mail. Ahn?
Ela me aconselhou a entregar uma cesta básica por mês. Achei interessante. Não sairia muito caro, não seria cansativo como subir uma escadaria de joelhos, e ainda tem apelo emocional. Dá certo em programas de TV, talvez dê certo para mim.
Contei pra ela que não cumpri uma promessa uma vez. Será que tem problema?
Eu estava na sexta série e meu pai disse me daria uma moto Jog se eu não pegasse nenhuma recuperação. Eu sabia que a probabilidade era pequena, pois estava mal em inglês, então resolvi fazer uma promessa para São Longuinho. Se eu não pegasse recuperação, daria 500 pulinhos.
Deu certo, eu não peguei recuperação, mas... também não ganhei a Jog. Nada mais justo que não dar os 500 pulinhos, certo? Errado. São Longuinho ficou puto. Tão puto que espalhou minha fama de má pagadora por todo o reino das divindades, de forma que meus pedidos nunca mais foram atendidos. Acho que São Longuinho é uma espécie de serasa do céu. Não há São Jorge que me salve, muito menos Santo Antônio, que resolveu tomar todas as dores do Longuinho e ferrar minha vida amorosa pra todo sempre. O jeito é torcer para que São Judas não faça parte dessa patota e me ajude, afinal, são doze cestas básicas, certo São Judas?

30 de outubro de 2008

Mudando de Mala e Cúia






Caros amigos, inimigos e pessoas que caíram aqui por acidente: é com muito prazer que inauguro minha mais nova menina dos olhos, meu mais novo passatempo, meu novo blog, o Umbigo Roxo.

Muita gente andou me perguntando sobre a mudança, então resolvi fazer esse post-explicação. Ok, só 3 pessoas perguntaram, mas vamos lá:

- O Alinhadamente Anormal era do antigo blogger, feito em uma conta de e-mail da globo.com que não existe mais, então eu morria de medo que ele um dia simplesmente desaparecesse.
Fora que esse antigo blogger parou no tempo e era muito chato mexer nele. Qualquer alteração tinha que ser feito em html e eu não tenho mais estabilidade emocional para isso.

- Eu detestava o nome e o visual do meu blog. Fora o endereço, aablog, que eu fiz quando não tinha entendido ainda o que era um blog.

- Sim, eu fiz questão de passar para cá todos os textos do aablog, mesmo sabendo que as pessoas só lêem o último post. Por quê? Puro apego barato. De qualquer forma foi divertido reler textos que eu nem lembrava e, por exemplo, notar que eu não sabia acentuar. Alguns textos eu arrumei, outros não, porque eu acho que tinha um q de ingenuidade, tinha lá a sua beleza, sabe? Ah, tá bom vai, fiquei com preguiça.

- Perguntaram muito também ( 2 pessoas) se eu vou escrever com mais assiduidade por aqui. Bom, a minha realidade costuma ser bem mais preguiçosa que a minha fantasia, mas pelo menos a minha intenção é escrever uma vez por semana ou mais.

Por favor, atualizem seus links e até logo mais!

Sobre banheiros - Terça-feira, Setembro 30, 2008





Eu sempre gostei de banheiros. Banheiro é com certeza a melhor parte da casa. Acha estranho que agora as suítes dos ricos possuam um banheiro pra cada casal? Pois eu acho um sonho de consumo. Talvez eu goste por ter mais dois irmãos mais velhos e ter que dividir tudo, não ter privacidade pra nada. Desde criança me trancava no banheiro e ficava horas lendo gibi. Hoje eu não leio mais gibis, mas ainda me tranco. Converso no telefone, escrevo cartas, poemas, músicas, em suma, o banheiro é o meu divã.
O meu grande desconsolo é que agora eu mal freqüento o meu banheiro, praticamente só uso banheiro público. Escovar os dentes, que sempre foi algo íntimo pra mim, agora é como ir à feira. Passo o fio dental e discuto a novela das oito com a estranha que lava as mãos na pia ao lado. Dizem por aí que os banheiros femininos são mais sujos que os masculinos, mas cá pra nós, o vaso sanitário não deve ter sido inventado por uma mulher. Só quem é mulher sabe como é difícil não se encostar no vaso. É uma verdadeira arte, e direto nos damos mal nessas tentativas, principalmente com algumas doses a mais. Homem não, homem se ajeita em qualquer moita, o que também é nojento, embora invejado por nós.
Na rodoviária Tiête tinha uns tempos pra trás um vaso moderno, que tinha um plástico sobre o assento, e depois que você usava era só acionar a máquina que ela trocava. Era o melhor banheiro público. Pagava um real, mas pagava feliz. Lá eu podia me sentar sem ter medo de pegar uma doença venérea ainda não catalogada. Pena que, segundo a faxineira, as usuárias não tenham se adaptado. As mulheres não entediam como funcionava, puxavam o plástico com força, estragavam a máquina, e a administração resolveu voltar ao velho vaso de sempre.
É, o jeito é ir treinando o equilíbrio. Qualquer hora eu descubro uma boa técnica e publico aqui, caras companheiras de banheiro.

Djobi, Djoba! - Quarta-feira, Setembro 17, 2008

Cheguei a conclusão que preciso refazer minha lista de músicas favoritas. Sim, eu faço listas, ainda que mentais, e na minha lista de músicas não cabe mais aquelas músicas de alguns anos atrás. Acho tudo pra baixo, tudo a um passo do suicídio. É, parece que eu gostava de uma fossa. Lembro que tinha Travessia, tinha Retrato em Preto e Branco, Drão, Sabiá, enfim, tudo triste, triste, triste. Não que agora eu seja a garota propaganda da felicidade em cápsulas, mas sou diferente. Mais leve, eu diria. Talvez quando eu chegar aos setenta só escute Ivete. Comentei com meu amigo sobre isso e ele me disse que não tinha um top cinco, ou top dez, mas gostava de uma do Gonzaguinha e uma chamada Djobi Djoba. Sabe qual é, né?

http://www.youtube.com/watch?v=hVb5araL39k

Agora me diz, que tipo de pessoa tem essa música como preferida? E pior, assume assim, sem o menor receio. É mais ou menos como confessar que gosta de ouvir Lulu Santos, ou de assistir Lagoa Azul. Pra mim só bêbada na mesa do bar, ou a base de tortura. Mas o Dú, bem...ele abriu um blog, aos poucos você vai descobrir.

Blog do Dú: http://comportamento-geral.blogspot.com

Aniversário Analógico - Sexta-feira, Agosto 29, 2008


Meu aniversário começou com a já esperada ligação do meu pai, pontualmente a meia-noite. Pronto, 26 anos. Agora já não tenho vinte e poucos anos, mas sim vinte e tantos. Entro no orkut, quem sabe já tem alguma mensagem? Não, nada. Poxa, ninguém acordado essa hora?
Acordo com o interfone tocando, era um entregador com uma cesta de café da manhã que meu pai e meu irmão compraram e eu me empanturrei, apesar da dieta recente. Ah, é meu aniversário, oras. Entre uma rosquinha e outra, entro no orkut outra vez e nada. Cadê as pessoas que acordam cedo pra trabalhar? Já são nove da manhã, pessoal.
Mais tarde me toquei: esqueci de colocar a data de aniversário no orkut! Entrei em configurações e batata. Estava só para eu ver. Mudei a opção, mas já era tarde. Não apareceu mais e ninguém ficou sabendo, o que foi triste e legal ao mesmo tempo. Só alguns poucos amigos lembraram, mas eu não tive que ficar respondendo aquelas mensagens chatas de pessoas que eu mal conheço. Um dia de aniversário íntimo, como nos velhos tempos. Eu até poderia ajustar a data pra outro dia, como um conhecido fez quando viu que cometeu o mesmo erro que eu, mas seria o cúmulo da carência virtual.
Já no shopping, falei pro meu amigo Zezinho Garçom que era meu aniversário, quem sabe ele me arrumava um almoço de graça? Ele não acreditou, pois não estava no orkut. Argumentei que havia esquecido de colocar a data lá, e ele continuou achando que era mentira. Acredita? Não ganhei nem um refrigerante! É o fim dos tempos, não é?
Ao longo do dia falei do meu aniversário via msn com algumas pessoas e elas responderam a mesma coisa: mas não tá no orkut! A minha sorte é que minhas tias e minha avó não entraram na era digital e continuam usando as velhas e inabaláveis agendinhas de papel. Recomendo.

Mulherada muito louca com doce na boca - Sábado, Julho 26, 2008



Eu tinha muita coisa pra escrever sobre os meus últimos meses. Sobre me mudar pra São Paulo, sobre não achar uma casa pra morar, sobre como é ficar na casa de amigos por um mês, sobre pequenas delícias da capital, sobre como é ruim acordar cedo e só voltar a noite e até sobre como mudar os planos, voltar pra casa, pensar em desistir do mestrado, fazer outro vestibular, enfim, mil coisas, mas eu não tive tempo de escrever na época e as coisas não fazem sentido depois de um tempo. Depois que passa tudo parece bobo.

E por falar em bobo, eu vou às Lojas Americanas todo dia, mais ou menos no mesmo horário, compro um chocolate Alpino Barra e fico passeando por lá. É um ritual meu. E todo dia rola paralelamente outro ritual, alguém escolhe um cd do Charlie Brown Jr. pra tocar. Todo santo dia, no mesmo bat-horário: Chorão, sua turma e eu, que fico me lembrando de quando tinha 15 anos. É, eu gostava de Charlie Brown Júnior. Fico tentando lembrar o porquê e não chego a uma conclusão. Eu gostava de Caetano, de Chico, e poxa vida, de Charlie Brown Júnior?

O mais engraçado é a ingenuidade. Tinha uma música que tinha um trecho assim “mulherada muito louca com doce na boca”, e eu imaginava um monte de meninas chupando pirulito, mastigando chicletes e balas. Uma verdadeira orgia alimentar. Droga pra mim era coisa de filme, Cristiane F., Kids, e outros que eu assistia escondida dos meus pais. Conhecia no máximo algumas pessoas que fumavam maconha, mas eram super “maloqueiros”. Tinha outra assim: “se me apresenta essa mulher te dava até um doce”. Olha que legal, o cara arruma uma menina pro amigo e ganha sei lá, um Sonho de Valsa. Uma troca justa, não?

Com tanto doce fico me lembrando também de quando tinha uns cinco anos e gostava de contar a piada do danoninho. Eu tinha aprendido a piada em um programa do Chico Anísio e ela se tornou a minha piada favorita. “Sabe o que o passarinho falou pra passarinha? Quer danoninho?” Contava e ria, ria. Achava tão legal a idéia de dois passarinhos comendo danoninho.Onde já se viu? Passarinhos só comem alpiste, ora essa. O chato era que os adultos pareciam não achar graça, só me olhavam estranho, e eu ria sozinha, como agora, no meio das prateleiras das Lojas Americanas.

Sobre a tão falada Virada - Terça-feira, Abril 29, 2008




Eu não queria escrever sobre a Virada Cultural de São Paulo, mas todos os jornais, revistas e blogs amigos escreveram, então fiquei com inveja. Bom, a festa foi divertida, com muitos shows, amigos bacanas, centro da cidade cheio, prédios iluminados, pessoas felizes. Tudo muito bonito. Até as pessoas eram bonitas. Bonitas mesmo, de fazer a gente se sentir mais feio do que é. Onde essas pessoas se escondem o resto do ano? Em comerciais de tv? Se bem que os rapazes de camiseta com nome de banda e meninas com cabelo vermelho mal pintado da Praça da República não tinham nada de bonito. E daí a feiúra deles? E daí que um cabeludo filho da mãe vomitou na grama, onde as pessoas estavam descansando e eu deitei em cima. Ganhei o direito divino de odiá-los e falar mal. Mas tudo bem, porque eu levei uma muda de roupa. O difícil foi achar um lugar pra trocar, pois como você já deve ter lido por aí, os banheiros eram escassos. Em consequência, as ruas cheiravam urina, mas sei lá, isso dava até um ar nostálgico de carnaval, de Rio de Janeiro, como disse meu amigo Edu.
Falando em cabeludos, a Gal cortou o cabelo para a Virada. Deve ter perdido uns 3 kilos na poda. Talvez a Bethânia se anime a cortar o dela também. E não sei se foi uma síndrome de Sansão, mas a Gal me pareceu meio sem forças, ficou paradinha no palco. Eu devia ter seguido seu exemplo, mas não, fiquei sassaricando. Doze horas depois eu não agüentava mais nada, pois assim como a baiana, eu estou velha e gorda. Meus pés se revoltaram contra mim e juraram que se eu não fosse embora, eles jamais entrariam em contato com o solo novamente. Tive que ceder e acabei perdendo os shows que eu realmente queria ver.
Assisti ainda Mutantes, ou melhor, apenas ouvi, porque estava muito lotado, e o Zé Celso, a Dercy Gonçalvez masculina, mas esse bem de perto, da segunda fila. Os Mutantes erraram quase todas as letras de suas próprias músicas, mas o show tinha um clima gostoso. Quanto ao diretor de teatro, o jornal de hoje dizia “Zé Celso toca Noel Rosa na virada”. Esqueceram de colocar a palavra sofrível na frase, mas tudo bem, as pessoas só estavam lá por ele, ficariam igualmente felizes se ele só falasse palavrões e fosse embora. Achei babaca, mas é sempre tocante ver pessoas adultas emocionadas, mesmo que por um velhinho falando pau e cu.
Resumindo, os shows que eu assisti estavam mais para Virada Cultural do Retiro dos Artistas, mas foi muito bom ainda assim. Para o ano que vem eu prometo voltar a malhar para agüentar andar mais, levar um penico, e carregar meu dinheiro na meia, pois na hora de voltar pra Minas eu descobri que o banco bloqueou meu cartão e eu precisei pegar dinheiro com a mãe do meu amigo Kenan, caso contrário eu teria que virar pedinte de metrô ou apelar para aquele quadro do Gugu, o “De volta pra minha terra”.

"Eles já viveram tudo e sabem que a vida é bela" - Sábado, Abril 05, 2008


Um copo de plástico em cima da lixeira, bordas meladas de suco e metade cheia de água de chuva. A abelhas faziam a festa, girando pra lá e pra cá, tentando roubar um pouco de açúcar. Algumas mais gananciosas acabaram afogadas, enquanto as outras voavam com cuidado e tentavam se equilibrar nas beiradas. As sobreviventes não pareciam ligar para as amigas burras e eu fiquei refletindo sobre isso, perdida nos meus pensamentos, quando um casal de velhos se aproximou. Tinham manchas grandes no rosto, a pele era fina, ela andava curvada e ele de muletas. Chuto uns oitenta e poucos anos. E não, não tinham aparência bonitinha, que me despertasse compaixão. Era só um casal de velhos.
A velha chamou a atenção do velho para o copo cheio de abelhas. Aproximaram-se, tentaram entender porque elas estavam ali. Ele achou que elas foram beber água. Ela achou idiota e eu também. Nunca ouvi falar que insetos bebem água. Será? Fiquei me esforçando para pensar se bebiam ou não, revendo na mente minha apostilinha de biologia. Foi aí que a velha deu um peteleco em uma abelha, fazendo com que ela caísse no chão, desorientada.
Achei maldoso, mas ela não. Ela riu, riu deliciosamente, e para concluir a cena pisou na abelha, esfregando a pontinha do pé, como se quisesse garantir que ela não sobreviveria. Tornou a repetir a ação com mais três abelhas, e riu com o mesmo prazer, em todas às vezes. Sobraram umas quatro abelhas, talvez alheias a tudo que acontecia com suas companheiras, talvez felizes por escapar, mas o velho deu um peteleco ainda mais leve, fazendo com que elas caíssem, uma a uma, dentro do copo, somando ao número de afogadas.
Queria ver se ele também daria risada, mas o ônibus chegou e eles se apressaram para entrar na fila, passando na frente dos outros velhinhos e garantindo seus bancos reservados.