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1 de novembro de 2008

O Santo das Causas Impossíveis





Eu queria acreditar em Deus, santos e promessas, mas não consigo. Foi o que eu disse para a moça que me aconselhou a fazer um pedido para São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis. Ela insistiu, que mal faria? Resolvi tentar, mas o que eu poderia prometer? O que São Judas, lá do alto de sua nuvem, acharia realmente esforçado para mim? Não comer chocolate, sorvete ou carnes? Ir pelo estômago é muito clichê, pensei. Nem ele deve agüentar mais essas promessas de mulherzinha.
Cogitei em não entrar mais na internet, o que seria realmente difícil para mim, mas não sei qual o pé de modernidade de São Judas. Talvez ele não considere uma promessa legítima. O que São Judas entende de orkut, blogs, msn. blip, twitter e etcs? Vai me dizer que ele tem perfil no facebook? Se sim, talvez seja mais interessante mandar um e-mail. Ahn?
Ela me aconselhou a entregar uma cesta básica por mês. Achei interessante. Não sairia muito caro, não seria cansativo como subir uma escadaria de joelhos, e ainda tem apelo emocional. Dá certo em programas de TV, talvez dê certo para mim.
Contei pra ela que não cumpri uma promessa uma vez. Será que tem problema?
Eu estava na sexta série e meu pai disse me daria uma moto Jog se eu não pegasse nenhuma recuperação. Eu sabia que a probabilidade era pequena, pois estava mal em inglês, então resolvi fazer uma promessa para São Longuinho. Se eu não pegasse recuperação, daria 500 pulinhos.
Deu certo, eu não peguei recuperação, mas... também não ganhei a Jog. Nada mais justo que não dar os 500 pulinhos, certo? Errado. São Longuinho ficou puto. Tão puto que espalhou minha fama de má pagadora por todo o reino das divindades, de forma que meus pedidos nunca mais foram atendidos. Acho que São Longuinho é uma espécie de serasa do céu. Não há São Jorge que me salve, muito menos Santo Antônio, que resolveu tomar todas as dores do Longuinho e ferrar minha vida amorosa pra todo sempre. O jeito é torcer para que São Judas não faça parte dessa patota e me ajude, afinal, são doze cestas básicas, certo São Judas?

23 de outubro de 2008

Ele está no meio de nós! - Quarta-feira, Setembro 01, 2004

Se alguém me perguntar se eu tenho alguma crença religiosa eu fico em duvida. Digo que não, e quero acreditar que não, que é tudo uma besteira, mas às vezes me vejo presa na educação que recebi. Nego acreditar em paraíso, ou o contrario dele, mas morro de medo de purgatório. Toda vez que faço algo que acho errado me imagino na frente de um grande portão de ferro, tentando entrar para o céu, e um anjo olhando a minha ficha, vendo o que eu fiz e o que eu não fiz.

-Não, não, não. Está aqui, você quebrou o vaso e culpou seu irmão. Desce!

Na catequese, que eu tinha que ir todo o sábado, eu aprendi também que Cristo pode vir na forma de um mendigo, por exemplo, para testar a minha bondade. Como onde eu moro sempre tem alguém pedindo algo, eu me sinto testada o tempo inteiro. Toda hora estou dando um troquinho para quem pede e me sinto super culpada quando não dou.
Esses dias eu tava voltando do supermercado, cheia de sacolas na mão, quando começou a chover. Estava tentando ir mais rápido para me molhar menos quando ouvi alguém me chamando. Era uma mulher com um guarda-chuva. Céus, quanta bondade, ela vai me oferecer carona até em casa, que bom. Ta vendo só? Ainda dizem que os paulistas não estão nem ai pro próximo, pura implicância.
Cheguei mais perto e adivinha? Ela me pediu um trocado para pegar o ônibus. Não acreditei, eu ali, ensopada, cheia de sacola, e ela, toda sequinha, ainda tem a cara de pau de me fazer parar e me pedir dinheiro. Eu quis esganá-la, arrancar o guarda-chuva e dar na sua cabeça, dar uma sacolada na cara, tudo, mas só consegui responder um sem-graça ¿sinto muito, agora não tenho¿, e pensar: porque diabos eu não nasci numa família de ateus?