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30 de outubro de 2008

Sobre a tão falada Virada - Terça-feira, Abril 29, 2008




Eu não queria escrever sobre a Virada Cultural de São Paulo, mas todos os jornais, revistas e blogs amigos escreveram, então fiquei com inveja. Bom, a festa foi divertida, com muitos shows, amigos bacanas, centro da cidade cheio, prédios iluminados, pessoas felizes. Tudo muito bonito. Até as pessoas eram bonitas. Bonitas mesmo, de fazer a gente se sentir mais feio do que é. Onde essas pessoas se escondem o resto do ano? Em comerciais de tv? Se bem que os rapazes de camiseta com nome de banda e meninas com cabelo vermelho mal pintado da Praça da República não tinham nada de bonito. E daí a feiúra deles? E daí que um cabeludo filho da mãe vomitou na grama, onde as pessoas estavam descansando e eu deitei em cima. Ganhei o direito divino de odiá-los e falar mal. Mas tudo bem, porque eu levei uma muda de roupa. O difícil foi achar um lugar pra trocar, pois como você já deve ter lido por aí, os banheiros eram escassos. Em consequência, as ruas cheiravam urina, mas sei lá, isso dava até um ar nostálgico de carnaval, de Rio de Janeiro, como disse meu amigo Edu.
Falando em cabeludos, a Gal cortou o cabelo para a Virada. Deve ter perdido uns 3 kilos na poda. Talvez a Bethânia se anime a cortar o dela também. E não sei se foi uma síndrome de Sansão, mas a Gal me pareceu meio sem forças, ficou paradinha no palco. Eu devia ter seguido seu exemplo, mas não, fiquei sassaricando. Doze horas depois eu não agüentava mais nada, pois assim como a baiana, eu estou velha e gorda. Meus pés se revoltaram contra mim e juraram que se eu não fosse embora, eles jamais entrariam em contato com o solo novamente. Tive que ceder e acabei perdendo os shows que eu realmente queria ver.
Assisti ainda Mutantes, ou melhor, apenas ouvi, porque estava muito lotado, e o Zé Celso, a Dercy Gonçalvez masculina, mas esse bem de perto, da segunda fila. Os Mutantes erraram quase todas as letras de suas próprias músicas, mas o show tinha um clima gostoso. Quanto ao diretor de teatro, o jornal de hoje dizia “Zé Celso toca Noel Rosa na virada”. Esqueceram de colocar a palavra sofrível na frase, mas tudo bem, as pessoas só estavam lá por ele, ficariam igualmente felizes se ele só falasse palavrões e fosse embora. Achei babaca, mas é sempre tocante ver pessoas adultas emocionadas, mesmo que por um velhinho falando pau e cu.
Resumindo, os shows que eu assisti estavam mais para Virada Cultural do Retiro dos Artistas, mas foi muito bom ainda assim. Para o ano que vem eu prometo voltar a malhar para agüentar andar mais, levar um penico, e carregar meu dinheiro na meia, pois na hora de voltar pra Minas eu descobri que o banco bloqueou meu cartão e eu precisei pegar dinheiro com a mãe do meu amigo Kenan, caso contrário eu teria que virar pedinte de metrô ou apelar para aquele quadro do Gugu, o “De volta pra minha terra”.

27 de outubro de 2008

Sonhos de Natal - Domingo, Dezembro 30, 2007


O que falta na minha família é um alcoólatra. Chega desse bom mocismo. Natal com conversas em tom amigável, comida gostosa, presentes e cada um pra sua casa. Precisamos de alguém para rolar na mesa, derrubar o peru, fazer a criança chorar. Talvez um alcoólatra com uma esposa dramática, que grite, o pegue pelos cabelos e o arraste até a saída, sob o olhar assustado dos demais. Todos se perguntariam como ela agüenta, e as crianças, pobrezinhas? Teríamos assunto para o resto da noite e para o almoço do dia 25.
Não, sem esse papo que não sei como é triste essa doença. Realmente não sei, mas sei como são chatas as festas com pessoas sóbrias e não as desejo a ninguém. Algumas boas doses a mais são indispensáveis e meu parente alcoólatra saberia dessa lição como ninguém.
E as piadas? Seriam tão melhores. Imagine só, no lugar de piadas com preconceitos disfarçados, teríamos piadas explicitamente incorretas, com os nomes certos dos sexos no lugar dos tananãs e na frente das crianças. Sem essa de passar o dedo pela pele, fale preto, fale criolo. Fale de uma vez que você odeia pobre, odeia viado. Meu parente alcoólatra falaria, assumiria tudo de pobre que há dentro dele com a desculpa da bebida, e todos fingiriam espanto.
Talvez ele nadasse pelado. Talvez gritasse que a casa é dele, e ele faz o que quiser. As mães tapariam os olhos das filhas. Os adolescentes dariam risada e se perguntariam qual mais ele aprontaria. Joga a tia na piscina! Eu estaria no coro. Vai desfazer a chapinha! Pessoas ceiando molhadas e de cabelo bagunçado.
E você? E você que é um vagabundo? E você que deu o golpe do baú? E você que teve um caso com a secretária? Chifruda! Sovina! Você roubou o próprio pai! Sim, ofensas no lugar de doenças alheias. Terminaríamos a noite brigados para fazer as pazes no dia seguinte, ou talvez no reveillon. Não, só no próximo natal. Ou nunca mais! Mentira. Todos se perdoariam, foi a bebida, foi o parente alcoólatra, mas ele não tem culpa, é uma doença, pobrezinho.

Eu, eu e o reveillon - Domingo, Dezembro 23, 2007


Eu detesto reveillon. Detesto reveillon com todo o meu coração. Detesto reveillon com todo o meu coração e tudo de pior que existe dentro dele. É a pior data do ano. Se eu fosse me matar, provavelmente seria no reveillon. Se eu fosse matar alguém, também seria no reveillon. Pronto, agora que eu coloquei todo meu ódio pra fora, vamos discorrer sobre o assunto.

Começa você, me pergunta, por que você odeia tanto o reveillon, uma data bonita, festiva, cheia de fogos de artifício, de vida, de esperança, você perdeu a esperança? Não, não é essa a questão. Eu gosto de fazer metas até. Sempre coloco um emprego decente lá, é um dos primeiros tópicos. Sim, sexo também, mas depois. E friso o detalhe, sexo de qualidade. É, tem razão, estou pedindo muito em uma lista só. Vou riscar e colocar paz no oriente médio.

Gosto das lentilhas e das romãs, sim, romãs, não têm gosto, mas tirar gominho por gominho é meio terapêutico. É, parece loucura, eu sei, mas gosto. Só não guardo na carteira, acho besteira, e até esses dias eu nem tinha uma carteira. Você viu? Gostou? Super barato, me sinto madura novamente agora que voltei a ter uma carteira, mesmo que ela pareça de uma menina de 10 anos. Roubaram a outra, lembra?

Acho que o problema é a vontade que seja o melhor dia do ano, isso faz com que ele seja o pior, se eu esperasse apenas um dia comum talvez me sentisse feliz comendo lentilha e bebendo champagne de 2 reais, mas eu estrago tudo, sempre. Eu me frustro em não estar em Copacabana, ou em um cruzeiro, ou até mesmo em uma festa que não terminasse alguns segundos depois da virada.

Copacabana brega? Ah, eu gosto, acho saudosista, não sei, eu me sinto bem lá. É, fui algumas vezes, mas nunca no reveillon. Teve um ano que algumas pessoas se queimaram, nesse ano eu não invejei as pessoas que estavam lá. Ah é, teve o ano do arrastão. Quando choveu também não, né? De chuva basta aqui nesse fim de mundo. O ano do ônibus queimado não foi legal também.

Mas e um cruzeiro? Cruzeiro é bacana. É, o Batomuche realmente não, mas pelo menos foi um reveillon agitado para quem estava lá. Sim, foi maldade, desculpe. Eu me lembro do plantão da Globo falando do acidente. Será que é a minha imaginação? Provável. Já contei que me lembro de quando eu ainda nem andava? Dizem que é impossível.

Um porre? E se eu vomitar? Passar o reveillon vomitando não deve ser divertido. É, o melhor seria tomar um tranqüilizante e dormir a noite toda. Já, já tentei, sem tranqüilizante. Se eu tivesse uma receita médica, mas nem isso. Não, senhor farmacêutico, não tenho uma receita, mas tenha piedade, sou uma pessoa que não consegue ser feliz no reveillon.

E tem festas no bairro todo, não dá pra dormir. Uma vez eu pensei em me infiltrar em uma dessas festas e descobrir se as pessoas estão realmente se divertindo ou se é fingimento. Também pensei em entrar e matar todo mundo. Inveja, o juiz me absolveria. Talvez um juiz que também não gostasse de reveillon.

Para de cantar essa música, depois não sai mais da cabeça. Ah, sabe o trecho final? Saúde pra dar e vender? Eu ficava imaginando as pessoas vendendo sua saúde. Quem dá mais, quem dá mais? Sabe? Ou ainda, toma minha saúde de graça pra você, vou ter uma pancreatite depois, mas pode levar, nossa amizade é mais valiosa. Tem certeza que quer me dar a sua? Não quero me sentir culpada por uma hérnia de disco, ou uma meningite, hein?

Adoro esse globo. Será que no Sirilanka se comemora reveillon? E na costa leste do mar Báltico? E na baía Prudhoe, no Alaska? E se eu colocar no google qualquer ilha do mundo que não se comemora reveillon, será que aparece?

Sobre o Carnaval - Quinta-feira, Março 02, 2006








-Estou velha. Várias crianças estavam fantasiadas com uma roupa vermelha de um super-herói que eu não conheço. Parecia Os Incríveis, mas o símbolo era outro.


-Acho ótimo que a Beija-Flor não tenha ganhado. Poços não tem nada a ver com aquela música que falava de mar, Netuno, Atlântida. Nota 0 para a escola e para o Estado de Minas Gerais que bancou essa babaquice.


-Planejei ir para alguma cidadezinha com carnaval de rua, mas no fim acabei alugando filmes e dormindo no sofá com meu gato como única companhia.


-Poços de Caldas virou a Cidade de Deus do sul de Minas.


- Ri muito da Nivea Maria falando torto no camarote da Rede TV e confessando que tinha enchido a lata de cachaça. Será que depois dessa ela ainda é uma atriz global?


-Fiquei feliz pela Vila Isabel, mas só por que ela era a escola do Noel. Torço também pela Portela por causa do do Paulinho da Viola e pela Mangueira por causa do Cartola, mas bem de levinho. No fundo não estou nem aí pra nenhuma delas, afinal nem sou do Rio, mas se eu fosse da Tijuca eu mataria aquela mulher que deu 9.3 para fantasia.


-Passou um programa sobre o ZiCartola muito legal na tv. Se você assistiu é tão anti-social como eu. Se não assistiu perdeu, pois foi ótimo.


-Ainda bem que a festa acabou, já estava morrendo de saudade de Lost.