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4 de novembro de 2008

A Sete Chaves




Lembra quando você era criança e sempre surgia o assunto “quem você gosta”? Ele tinha mais ou menos a mesma importância do assunto “quem é seu melhor amigo”.
Todo mundo gostava de alguém, o colega de sala ou o menino da rua, e assim, sem entender nada sobre amor e sobre relacionamento íamos seguindo.
Era um segredo guardado a sete chaves. Contávamos no máximo para nossa melhor amiga e, ainda assim, após juras que envolviam nomes divinos e nossas mães mortas atrás da porta.
Depois de alguns anos chegou a brincadeira do beijo e começamos a colocar nosso afeto em prática, mas não, não era o fim dos segredinhos. As brincadeiras de pêra-uva-maça-salada-mista geralmente aconteciam nos fim das festas ou garagens dos prédios, com poucos participantes, ou melhor, poucas testemunhas. No outro dia rolava a fofoca de quem beijou quem, se foi de língua ou não e quantos minutos durou.
Com a bagagem de algumas saladas mistas, o beijo começou a não ser mais motivo de fofoca, agora todo mundo “ficava” e era na frente de todo mundo mesmo, nos shows, nas festas, na porta da escola. Mais tarde alguns ficantes começaram a namorar. Pronto, começou o boato que aqueles dois haviam feito sexo. Sério? A Ana não é mais virgem? Não sei, ninguém sabe. Mas imagina se os pais descobrem? E os pais descobriam, alias, todo mundo descobria, afinal estava todo mundo transando.
Com namoros somados, e algumas (loucas) até casamentos, conversamos sobre sexo como quem fala do preço da laranja. Falamos livremente sobre a primeira vez, posição favorita, número de parceiros, sobre a freqüência (ou a falta dela), o que leva nos leva a acreditar que não temos mais o que esconder, mas quem disse?
Basta perguntar sobre gostamos para surgir uma máquina do tempo que nos leva diretamente para primeira série, porque sim, apesar de ficar com aquele, ou ter feito sexo com aquele outro, acontece de gostar de um terceiro e não gostamos de sair por aí assumindo esses sentimentos. E não, não há caipirinha de kiwi que nos leve a dizer se já esquecemos, se amamos ou não, ou o que escrevemos naquele e-mail, não sem antes jurar pela mãe morta atrás da porta.
p.s: não mais, não mais...

30 de outubro de 2008

Aniversário Analógico - Sexta-feira, Agosto 29, 2008


Meu aniversário começou com a já esperada ligação do meu pai, pontualmente a meia-noite. Pronto, 26 anos. Agora já não tenho vinte e poucos anos, mas sim vinte e tantos. Entro no orkut, quem sabe já tem alguma mensagem? Não, nada. Poxa, ninguém acordado essa hora?
Acordo com o interfone tocando, era um entregador com uma cesta de café da manhã que meu pai e meu irmão compraram e eu me empanturrei, apesar da dieta recente. Ah, é meu aniversário, oras. Entre uma rosquinha e outra, entro no orkut outra vez e nada. Cadê as pessoas que acordam cedo pra trabalhar? Já são nove da manhã, pessoal.
Mais tarde me toquei: esqueci de colocar a data de aniversário no orkut! Entrei em configurações e batata. Estava só para eu ver. Mudei a opção, mas já era tarde. Não apareceu mais e ninguém ficou sabendo, o que foi triste e legal ao mesmo tempo. Só alguns poucos amigos lembraram, mas eu não tive que ficar respondendo aquelas mensagens chatas de pessoas que eu mal conheço. Um dia de aniversário íntimo, como nos velhos tempos. Eu até poderia ajustar a data pra outro dia, como um conhecido fez quando viu que cometeu o mesmo erro que eu, mas seria o cúmulo da carência virtual.
Já no shopping, falei pro meu amigo Zezinho Garçom que era meu aniversário, quem sabe ele me arrumava um almoço de graça? Ele não acreditou, pois não estava no orkut. Argumentei que havia esquecido de colocar a data lá, e ele continuou achando que era mentira. Acredita? Não ganhei nem um refrigerante! É o fim dos tempos, não é?
Ao longo do dia falei do meu aniversário via msn com algumas pessoas e elas responderam a mesma coisa: mas não tá no orkut! A minha sorte é que minhas tias e minha avó não entraram na era digital e continuam usando as velhas e inabaláveis agendinhas de papel. Recomendo.

Mulherada muito louca com doce na boca - Sábado, Julho 26, 2008



Eu tinha muita coisa pra escrever sobre os meus últimos meses. Sobre me mudar pra São Paulo, sobre não achar uma casa pra morar, sobre como é ficar na casa de amigos por um mês, sobre pequenas delícias da capital, sobre como é ruim acordar cedo e só voltar a noite e até sobre como mudar os planos, voltar pra casa, pensar em desistir do mestrado, fazer outro vestibular, enfim, mil coisas, mas eu não tive tempo de escrever na época e as coisas não fazem sentido depois de um tempo. Depois que passa tudo parece bobo.

E por falar em bobo, eu vou às Lojas Americanas todo dia, mais ou menos no mesmo horário, compro um chocolate Alpino Barra e fico passeando por lá. É um ritual meu. E todo dia rola paralelamente outro ritual, alguém escolhe um cd do Charlie Brown Jr. pra tocar. Todo santo dia, no mesmo bat-horário: Chorão, sua turma e eu, que fico me lembrando de quando tinha 15 anos. É, eu gostava de Charlie Brown Júnior. Fico tentando lembrar o porquê e não chego a uma conclusão. Eu gostava de Caetano, de Chico, e poxa vida, de Charlie Brown Júnior?

O mais engraçado é a ingenuidade. Tinha uma música que tinha um trecho assim “mulherada muito louca com doce na boca”, e eu imaginava um monte de meninas chupando pirulito, mastigando chicletes e balas. Uma verdadeira orgia alimentar. Droga pra mim era coisa de filme, Cristiane F., Kids, e outros que eu assistia escondida dos meus pais. Conhecia no máximo algumas pessoas que fumavam maconha, mas eram super “maloqueiros”. Tinha outra assim: “se me apresenta essa mulher te dava até um doce”. Olha que legal, o cara arruma uma menina pro amigo e ganha sei lá, um Sonho de Valsa. Uma troca justa, não?

Com tanto doce fico me lembrando também de quando tinha uns cinco anos e gostava de contar a piada do danoninho. Eu tinha aprendido a piada em um programa do Chico Anísio e ela se tornou a minha piada favorita. “Sabe o que o passarinho falou pra passarinha? Quer danoninho?” Contava e ria, ria. Achava tão legal a idéia de dois passarinhos comendo danoninho.Onde já se viu? Passarinhos só comem alpiste, ora essa. O chato era que os adultos pareciam não achar graça, só me olhavam estranho, e eu ria sozinha, como agora, no meio das prateleiras das Lojas Americanas.

Sobre a tão falada Virada - Terça-feira, Abril 29, 2008




Eu não queria escrever sobre a Virada Cultural de São Paulo, mas todos os jornais, revistas e blogs amigos escreveram, então fiquei com inveja. Bom, a festa foi divertida, com muitos shows, amigos bacanas, centro da cidade cheio, prédios iluminados, pessoas felizes. Tudo muito bonito. Até as pessoas eram bonitas. Bonitas mesmo, de fazer a gente se sentir mais feio do que é. Onde essas pessoas se escondem o resto do ano? Em comerciais de tv? Se bem que os rapazes de camiseta com nome de banda e meninas com cabelo vermelho mal pintado da Praça da República não tinham nada de bonito. E daí a feiúra deles? E daí que um cabeludo filho da mãe vomitou na grama, onde as pessoas estavam descansando e eu deitei em cima. Ganhei o direito divino de odiá-los e falar mal. Mas tudo bem, porque eu levei uma muda de roupa. O difícil foi achar um lugar pra trocar, pois como você já deve ter lido por aí, os banheiros eram escassos. Em consequência, as ruas cheiravam urina, mas sei lá, isso dava até um ar nostálgico de carnaval, de Rio de Janeiro, como disse meu amigo Edu.
Falando em cabeludos, a Gal cortou o cabelo para a Virada. Deve ter perdido uns 3 kilos na poda. Talvez a Bethânia se anime a cortar o dela também. E não sei se foi uma síndrome de Sansão, mas a Gal me pareceu meio sem forças, ficou paradinha no palco. Eu devia ter seguido seu exemplo, mas não, fiquei sassaricando. Doze horas depois eu não agüentava mais nada, pois assim como a baiana, eu estou velha e gorda. Meus pés se revoltaram contra mim e juraram que se eu não fosse embora, eles jamais entrariam em contato com o solo novamente. Tive que ceder e acabei perdendo os shows que eu realmente queria ver.
Assisti ainda Mutantes, ou melhor, apenas ouvi, porque estava muito lotado, e o Zé Celso, a Dercy Gonçalvez masculina, mas esse bem de perto, da segunda fila. Os Mutantes erraram quase todas as letras de suas próprias músicas, mas o show tinha um clima gostoso. Quanto ao diretor de teatro, o jornal de hoje dizia “Zé Celso toca Noel Rosa na virada”. Esqueceram de colocar a palavra sofrível na frase, mas tudo bem, as pessoas só estavam lá por ele, ficariam igualmente felizes se ele só falasse palavrões e fosse embora. Achei babaca, mas é sempre tocante ver pessoas adultas emocionadas, mesmo que por um velhinho falando pau e cu.
Resumindo, os shows que eu assisti estavam mais para Virada Cultural do Retiro dos Artistas, mas foi muito bom ainda assim. Para o ano que vem eu prometo voltar a malhar para agüentar andar mais, levar um penico, e carregar meu dinheiro na meia, pois na hora de voltar pra Minas eu descobri que o banco bloqueou meu cartão e eu precisei pegar dinheiro com a mãe do meu amigo Kenan, caso contrário eu teria que virar pedinte de metrô ou apelar para aquele quadro do Gugu, o “De volta pra minha terra”.

"Eles já viveram tudo e sabem que a vida é bela" - Sábado, Abril 05, 2008


Um copo de plástico em cima da lixeira, bordas meladas de suco e metade cheia de água de chuva. A abelhas faziam a festa, girando pra lá e pra cá, tentando roubar um pouco de açúcar. Algumas mais gananciosas acabaram afogadas, enquanto as outras voavam com cuidado e tentavam se equilibrar nas beiradas. As sobreviventes não pareciam ligar para as amigas burras e eu fiquei refletindo sobre isso, perdida nos meus pensamentos, quando um casal de velhos se aproximou. Tinham manchas grandes no rosto, a pele era fina, ela andava curvada e ele de muletas. Chuto uns oitenta e poucos anos. E não, não tinham aparência bonitinha, que me despertasse compaixão. Era só um casal de velhos.
A velha chamou a atenção do velho para o copo cheio de abelhas. Aproximaram-se, tentaram entender porque elas estavam ali. Ele achou que elas foram beber água. Ela achou idiota e eu também. Nunca ouvi falar que insetos bebem água. Será? Fiquei me esforçando para pensar se bebiam ou não, revendo na mente minha apostilinha de biologia. Foi aí que a velha deu um peteleco em uma abelha, fazendo com que ela caísse no chão, desorientada.
Achei maldoso, mas ela não. Ela riu, riu deliciosamente, e para concluir a cena pisou na abelha, esfregando a pontinha do pé, como se quisesse garantir que ela não sobreviveria. Tornou a repetir a ação com mais três abelhas, e riu com o mesmo prazer, em todas às vezes. Sobraram umas quatro abelhas, talvez alheias a tudo que acontecia com suas companheiras, talvez felizes por escapar, mas o velho deu um peteleco ainda mais leve, fazendo com que elas caíssem, uma a uma, dentro do copo, somando ao número de afogadas.
Queria ver se ele também daria risada, mas o ônibus chegou e eles se apressaram para entrar na fila, passando na frente dos outros velhinhos e garantindo seus bancos reservados.

Tempo Tempo Tempo Tempo - Sábado, Fevereiro 23, 2008


Acordo e tudo mudou. Chiclete não é mais tão gostoso, trufa de brigadeiro é doce demais e o Fidel não está mais no poder. Estou envelhecendo.

Um jornal inteiro sobre o ex-presidente cubano. Meus netos nem saberão quem ele foi. Talvez decorem para a prova e esqueçam depois. Será que até lá o Che ainda vai ser estampa de camisetas? Isso me faz pensar na beleza do tempo, de como a vida é algo muito maior que política, pessoas e ideologias. Paro de achar tudo tão belo quando vejo, na área de publicidade, rostos aprovados no vestibular. Não conheço mais ninguém! Nem irmãos caçulas.

Antigamente eu conhecia todo mundo. Velha. Opa, finalmente reconheço um. É ele! Não acredito. O menino bonito. Mas no jornal de vestibulando? Deve ter o que? Dezoito anos? Talvez até dezessete. Oh, céus. Até uns anos atrás pessoas bem mais novas que eu eram crianças, não incomodavam. Agora eles são grandinhos, estão pelos bares, pelas ruas, confundidos e confundindo. Droga. Estou envelhecendo.

Resolvo tomar um sorvete. Parece que o sorveteiro está mal de saúde, é bom correr. Fico me sentindo a mais fria entre os mortais, pois só me preocupa a sobremesa e não o pobre, que passou por várias cirurgias no coração, mas estamos falando do sorvete de doce de leite, o melhor sorvete de todos os tempos, meu sorvete favorito desde criancinha. Tomo com o prazer e a dor de uma despedida. No fim concluo que nem estava tão bom assim. Achei aguado. Seria eu o problema? Eu que estou envelhecendo e ficando chata, ou ele que envelheceu e perdeu a mão? Tomo outro de ameixa ao rum. Muito bom. Vem na minha mente “agora ele pode morrer” e eu me recrimino em seguida.

Voltando para casa reparo que não tem mais o puteiro de sempre na minha rua. Como assim? Pra onde ele foi? Demoliram, meu Deus! Minha rua ficou sem graça agora. Poxa, quais outras ruas tinham o glamour de ter uma casa azul de janelas rosas, escrito Boite Cherry Marta na porta? Era uma ótima referência para os entregadores de pizza. Lembro do dia que conheci a proprietária. Fui ao supermercado comprar alguma coisa para minha mãe e ela estava lá, conversando animadamente com o caixa, com um saco de mangas que tinha apanhado no quintal. Entrei na conversa, que era sobre guaraná e tubaína. Na hora de ir embora ela me deu uma das mangas. Senhora simpática. Mais tarde me disseram o que ela era, e que eu não deveria conversar com gente assim, pois poderiam me confundir e outras bobagens. Acho que comecei a envelhecer ali.

27 de outubro de 2008

Eu, eu e o reveillon - Domingo, Dezembro 23, 2007


Eu detesto reveillon. Detesto reveillon com todo o meu coração. Detesto reveillon com todo o meu coração e tudo de pior que existe dentro dele. É a pior data do ano. Se eu fosse me matar, provavelmente seria no reveillon. Se eu fosse matar alguém, também seria no reveillon. Pronto, agora que eu coloquei todo meu ódio pra fora, vamos discorrer sobre o assunto.

Começa você, me pergunta, por que você odeia tanto o reveillon, uma data bonita, festiva, cheia de fogos de artifício, de vida, de esperança, você perdeu a esperança? Não, não é essa a questão. Eu gosto de fazer metas até. Sempre coloco um emprego decente lá, é um dos primeiros tópicos. Sim, sexo também, mas depois. E friso o detalhe, sexo de qualidade. É, tem razão, estou pedindo muito em uma lista só. Vou riscar e colocar paz no oriente médio.

Gosto das lentilhas e das romãs, sim, romãs, não têm gosto, mas tirar gominho por gominho é meio terapêutico. É, parece loucura, eu sei, mas gosto. Só não guardo na carteira, acho besteira, e até esses dias eu nem tinha uma carteira. Você viu? Gostou? Super barato, me sinto madura novamente agora que voltei a ter uma carteira, mesmo que ela pareça de uma menina de 10 anos. Roubaram a outra, lembra?

Acho que o problema é a vontade que seja o melhor dia do ano, isso faz com que ele seja o pior, se eu esperasse apenas um dia comum talvez me sentisse feliz comendo lentilha e bebendo champagne de 2 reais, mas eu estrago tudo, sempre. Eu me frustro em não estar em Copacabana, ou em um cruzeiro, ou até mesmo em uma festa que não terminasse alguns segundos depois da virada.

Copacabana brega? Ah, eu gosto, acho saudosista, não sei, eu me sinto bem lá. É, fui algumas vezes, mas nunca no reveillon. Teve um ano que algumas pessoas se queimaram, nesse ano eu não invejei as pessoas que estavam lá. Ah é, teve o ano do arrastão. Quando choveu também não, né? De chuva basta aqui nesse fim de mundo. O ano do ônibus queimado não foi legal também.

Mas e um cruzeiro? Cruzeiro é bacana. É, o Batomuche realmente não, mas pelo menos foi um reveillon agitado para quem estava lá. Sim, foi maldade, desculpe. Eu me lembro do plantão da Globo falando do acidente. Será que é a minha imaginação? Provável. Já contei que me lembro de quando eu ainda nem andava? Dizem que é impossível.

Um porre? E se eu vomitar? Passar o reveillon vomitando não deve ser divertido. É, o melhor seria tomar um tranqüilizante e dormir a noite toda. Já, já tentei, sem tranqüilizante. Se eu tivesse uma receita médica, mas nem isso. Não, senhor farmacêutico, não tenho uma receita, mas tenha piedade, sou uma pessoa que não consegue ser feliz no reveillon.

E tem festas no bairro todo, não dá pra dormir. Uma vez eu pensei em me infiltrar em uma dessas festas e descobrir se as pessoas estão realmente se divertindo ou se é fingimento. Também pensei em entrar e matar todo mundo. Inveja, o juiz me absolveria. Talvez um juiz que também não gostasse de reveillon.

Para de cantar essa música, depois não sai mais da cabeça. Ah, sabe o trecho final? Saúde pra dar e vender? Eu ficava imaginando as pessoas vendendo sua saúde. Quem dá mais, quem dá mais? Sabe? Ou ainda, toma minha saúde de graça pra você, vou ter uma pancreatite depois, mas pode levar, nossa amizade é mais valiosa. Tem certeza que quer me dar a sua? Não quero me sentir culpada por uma hérnia de disco, ou uma meningite, hein?

Adoro esse globo. Será que no Sirilanka se comemora reveillon? E na costa leste do mar Báltico? E na baía Prudhoe, no Alaska? E se eu colocar no google qualquer ilha do mundo que não se comemora reveillon, será que aparece?

Por que te amava tanto? - Terça-feira, Dezembro 19, 2006

Recebi um texto hoje que adorei e resolvi publicar aqui. Pena ter brigado( pra variar) com o autor 1 minuto depois. É, ex-amor. Não tem mais jeito mesmo, mas foi linda a nossa história.

Por que te amava tanto?

Porque ficavamos muitos finais de semana trancados no quarto e nos bastavam apenas nós dois. Porque você acordava sorrindo e adorava as torradas que eu preparava.
Porque você chegava do trabalho e me acordava com beijos e paciência.
Porque você, às vezes, acordava e logo me abraçava. Porque você não ligava que eu fizesse ou não a barba todo dia.
Porque você era ciumenta, como eu.
Porque você dava chilique quando eu dizia que uma mulher era bonita ou sensual.
Porque brigava se eu olhasse para outra menina.
Porque sempre me esperava no aeroporto com uma carinha de felicidade.
Porque quando vinha comportava-se como uma meninha, encantada por estar aqui.
Porque você andava léguas para encontrar bolinho de bacalhau para mim.
Porque almoçava junto comigo num boteco qualquer da Paulista com a alegria de quem estivesse no Fazano.
Porque queria viver comigo, apesar de sua família.
Porque você um dia desejou ter filhos comigo.
Porque você fazia tudo que pudesse me agradar, mesmo que fosse algo de que não gostasse muito.
Porque você vigiava para que eu não esquecesse meus óculos.
Porque me ligava de madrugada, às vezes chorosa.
Porque se escondia no armário para me ligar.
Porque era tão parecida comigo em certas coisas e tão diferente em outras.
Porque deixava de brincar com sua gata, só pra não me deixar só.
Porque você suportava que eu corrigisse o seu inglês e sua gramática sem ficar ofendida.
Porque você era boa naquilo que fazia e sabia disto, sem achar que isso te levaria ao céu ou te livraria do inferno.
Porque você tinha tantos talentos e era tão humilde com relação a eles que eu só fui descobrir depois de mais de 2 anos juntos.
Porque podiamos falar de mitologia, filosofia, cinema, música, viagens, história ou apenas fofocar sobre astros de TV. P
orque você era quase sempre bem-humorada, gentil, educada e fofa.
Porque você tinha a boca mais delícia e macia e lindinha do mundo, mesmo quando dormia com ela aberta e roncava.
Porque você não era feminista nunca.
Porque às vezes eu era um grosso, e mesmo assim você nunca ficava horrorizada comigo.
Porque às vezes você me tratava como se eu fosse seu melhor amigo, sem nunca deixar de ser mulher.
Porque você nunca deixou de me achar gostoso , estivesse eu de cabelos aparados ou crescidos.
Porque você gostava quando eu ria pois achava que eu tinha um sorrisão aberto.
Porque você me achava inteligente mas não se sentia ameaçada de forma nenhuma.
Porque você sempre queria ouvir minha opinião.
Porque você deixava que eu decidisse se você iria comprar esta ou aquela coisa.
Porque até hoje ainda gostamos mais de conversar um com o outro mais do que com qualquer outra pessoa.
Porque nossas brigas eram de ciumes e de curta duração.
Porque quando eu olhava pra você consiguia ver a criança que você foi e a velha que iria se tornar, e amava as duas também.
Porque você tem olhos negros, lindos, e olhar tão doce.
Porque nunca ganhei na Mega Sena pois, provavelmente, a sorte tem que ser distribuída com alguma justiça entre as pessoas e eu já ganhei na loteria 1 vez. Faz tempo. Pra ser mais exato faz 6 anos.

23 de outubro de 2008

Fadada à mesmice - Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005




Eu acho uma babaquice papos de frescor da juventude, bons tempos, e todo aquele lenga-lenga que diz que a vida só é boa até certa idade, depois disso você ja esta envelhecendo, lutando contra o relógio, mas esses dias eu tive uma conversa com meu pai que me deixou triste. Eu estava falando sobre a merda que é ser filho caçula, pois no começo tudo é novidade, os pais empolgados levam os filhos pra cima e pra baixo, depois cansam e só querem ver televisão. Eu como filha caçula peguei a parte chata. Nunca fui acampar, nem pescar, não fiz um monte de viagens que meus irmãos fizeram e tenho menos da metades das fotos que eles tem. Fora isso eu tava falando que ele não tinha me ensinado a jogar tênis, como fez com os mais velhos, e ele se defendendo. No fim da conversa disse que também não adiantava mais, por que tênis tem que começar a jogar criança, depois de velho não pega o jeito.
É, ele tá certo, não adianta mais.Eu não vou ser a revelação do tênis nacional. E pior, nem do tênis, nem da natação, nem do vôlei, nem da literatura, nem da música, nem de merda nenhuma, por que eu não tenho mais idade pra isso. Não é triste?
Sempre falam pra gente que cada um tem um talento especial, que mais cedo ou mais tarde você vai descobrir, mas depois de certa idade, o que mais pode se revelar? Mais nada. Já leu biografias? Fulano de tal começou tocar piano aos 4 anos. Beltrano mostrou habilidades especiais em cálculos desde a pré-escola. Ciclano fez seu primeiro invento aos 9. E quem não fez nada notável ate os 22? Senta e chora, pois foi enganado. Você não é bom em nada e tem que se conformar com isso. Você não tem talento nenhum e nem vai ter, como eu. Você e eu somos comuns. Igual a qualquer um, igual a todo mundo. Nascemos pra comer, dormir, procriar, e morrer. Nem hobby eu tenho, imagina talento. O que eu sei fazer? Nada, nem descascar laranja. Não é triste? Eu queria ser como o Bill Gates, droga! Queria ter uma esperançazinha de ter um talento especial e ficar milionária. Mas não, vou ficar chacoalhando no ônibus até me aposentar. Ou será que ainda dá para ser campeã de bocha?

Quando eu era criança queria... - Quarta-feira, Setembro 29, 2004

ter oito filhos
tomar o café da manhã da Xuxa
ter um walkmachine
que os cachorros vivessem tanto como os elefantes

De todas essas opções a ultima vontade é a única que permanece. Como seria bom se eles vivessem o bastante para acompanhar toda a nossa vida, e que assim não houvessem despedidas. Meu cachorro ainda estaria aqui, eu não me sentiria culpada por não tê-lo ajudado quando ele precisou, eu ainda teria tempo de deixar que ele passeasse o quanto quisesse, por todos os jardins, sentindo todos os cheiros.Ele ainda poderia colocar o focinho para fora do vidro do carro, como se estivesse recebendo o mundo todo na cara. Eu faria sua vontade e permitiria que ele observasse mais o que tinha além do muro, do jeito que sua natureza curiosa pedia, que corresse atrás dos seus passarinhos, mas não, as coisas não são assim e isso tem me feito muito infeliz nos últimos dias.
Foi por isso também que eu não postei na última semana, por estar triste e por ter medo de ouvir alguém falando que eu devia lembrar de quem não tem casa pra morar ao invés de me preocupar com um cachorro. Eu me preocupo com as pessoas, com as crianças e coisa e tal, mas por que isso tem que fazer com que eu seja indiferente a um ser que me acompanhou durante 12 anos? Sinceramente não consigo, não quero e nunca vou entender pessoas assim.



Só na cafeína - Terça-feira, Julho 20, 2004


Eu costumava brincar que existem três tipos de pessoas que não são dignas de amizades: as que não bebem, as que não assistem novelas e as que não jogam buraco. Tem coisa mais chata do que ir em uma festa ou a um bar com alguém que não bebe? Tem coisa mais chata que chegar eufórica para contar que leu na banca de revistas que o Paco vai beijar a Preta e a pessoa perguntar quem é Paco? Tem coisa mais chata do que passar um dia de chuva junto com uma pessoa que não sabe jogar buraco?
Sim, tem. Ir na padaria ou servir lanche da tarde para uma pessoa que não bebe café, e eu não bebia café.
Varias vezes eu era convidada para tomar café da tarde de alguém e chegando lá só tinha café mesmo, nem um suquinho nem nada, só a pessoa com aquela cara de sem graça, desculpe, eu não sabia. Fora a inveja que eu sentia das pessoas que sabiam beber café, faziam aquela cara de prazer, eu ficava morrendo de vontade mas quando provava achava horrível, venenoso, não conseguia entender como alguém podia achar aquilo bom.
Depois de anos de não ao café e de ser muitas vezes excluída pelos que gostavam de bebe-lo, eu decidi mudar esse quadro, defini que nessas ferias eu tinha que aprender a beber. A primeira vez foi tão ruim como as anteriores, aquele gosto forte, aquela cor duvidosa, pensei ate em desistir, mas segui em frente. No segundo dia já achei gostosinho, e no terceiro até já senti vontade e comecei a espalhar feliz da vida para todo mundo que agora eu sou uma pessoa que bebe café.
O engraçado é que embora eu sentisse vontade aquilo ainda não estava incorporado a minha rotina, fui em uma padaria tomar lanche e pedi um suco de laranja. Ve se pode? Esqueci. Fiquei triste comigo. Será que eu nunca me tornaria uma bebedora de verdade? No outro dia já fui pensando no caminho, para chegar lá e pedir café. Chegando lá, café na cabeça, surge outro problema. Não conheço o linguajar ¿cafeines¿. Como se pede um café? Eu só estava bebendo em casa, não sabia como se fazia por ai. Um cafezinho? Um café? Uma xícara de café, com açúcar e chantilly? Fiquei com medo de que todo mundo percebesse que eu era nova nesse meio, medo de passar vergonha. Vi um cara pedindo apenas por café mesmo, sendo servido no copo com o potinho de açucar do lado, resolvi imitar e falei exatamente o que ele falou, um café por favor. Café servido, e agora? Qual a quantidade de açúcar necessária? Acabou ficando ruim, mas tudo bem, eu chego lá.

Que venha setembro - Terça-feira, Agosto 17, 2004


Vocês já ouviram falar em inferno astral? Não? Pois então vou dar uma rápida explicação. O Inferno Astral acontece durante o mês que antecede o seu aniversario e é um período de zica total, onde tudo que pode dar de errado na sua vida dará. Meu aniversario é dia 28 desse mês, ou seja, murphy já dominou por vinte dias e ainda dominará por mais oito.
Besteira? Antes fosse. Para dar uma idéia vou citar os meus últimos acontecimentos: Voltei das minhas férias e a luz tava cortada, era domingo, a Eletropaulo não atende nesse dia, tive que esperar ate o outro dia no escuro, sem poder tomar banho, sem tv, sem som e todas essas coisas que só funcionam com eletricidade.
Primeiro dia da aula de cinema: a mocinha esquece de me avisar que mudou o local do curso, vou pro lugar errado e amarguei horas no frio ate descobrir para onde ir. Nos outros dias foi normal, até que ontem eu peguei o ônibus errado, fui parar no fim do mundo e andei por horas, por que meu dinheiro estava contando e não dava para pagar um ônibus a mais.
Domingo fui ao show do Los Hermanos com a Luciana e com o Kenan, bebemos um pouco, o que em outra época seria normal, mas nesse dia eu fiquei com um soluço que não me deixava cantar e levei um tombo patético na frente de todo mundo. Um pouco antes disso, eu estava tomando banho pra ir pra lá, e quando já tava cheia de sabão a resistência do chuveiro queimou. Tirei a espuma com água fria e decidi acabar o banho com água esquentada no fogão e baldinho. Já tentaram lavar o cabelo com baldinho? Pois é, não dá. Voltei a água fria e agora estou gripadissima, com febre e tudo mais.
As meninas que moram comigo estão revoltadas, dizem que o inferno astral é meu, que não é justo que elas também paguem pato tomando banho frio. Mas fazer o que? Deve ser contagioso, sei lá. Portanto um conselho para vocês, que poderia até ser chamado de uma questão de segurança publica: mantenham distancia, pelo menos até o dia 28.

É da idade - Terça-feira, Agosto 10, 2004


Gente, eu to em crise. Minha mãe me acha uma exagerada, diz que nem sabe como vai ser quando eu fizer 50, mas a verdade é que tem sido muito difícil pra mim. Esse mês faço 22 anos, não sou mais uma adolescente, tenho assumir uma postura adulta, mas não sinto a menor vontade de fazer isso. Queria poder continuar a tomar decisões irresponsáveis, viver de mesada, acordar tarde e não lavar nem um copo, sabe?
O problema é que quando estamos assim, em crise, fazemos coisas que os outros não entendem, como aquela dona de casa que se separa e começa a querer usar mini-saia, ou como aquele homem velho que canta todas as meninas da praça para ainda se sentir viril. Eu estou assim, tanto que uns dias para trás eu tava pensando que nunca tinha usado piercing (pelo menos por mais de três dias) e nada é mais adolescente que colocar um, então resolvi por. Surgiram vários questionamentos - mas e o emprego, mas agora, pra que isso - mas mesmo assim eu resolvi ir adiante, pois imagina o meu filho, daqui uns 15 anos, me perguntando como era usar piercing, assim como eu pergunto para minha mãe como era usar calça boca-de-sino e passar o cabelo a ferro. O que eu vou responder? Que não usei? Que coisa chata, eu odiaria a minha mãe se ela não tivesse usado boca-de-sino, e essa calça ta para a geração dela como o piercing ta para a minha. Outra coisa: melhor querer por um piercing agora, do que aos 80, como a Hebe.

-Mas e ai? Acabou a crise?
-Ah, não. Mas de qualquer forma foi engraçado ver minha avó perguntando: mas marcela, você precisava colocar esse espeto na cara?

7 de outubro de 2008

Kevin Arnold reina (Sexta-feira, Julho 25, 2003)


A maioridade quando eu era criança significava algo muito distante, mas também algo muito glorioso. Devia ser ótimo ser adulto. Ninguém me mandando fazer coisas que eu odiava, como tomar banho e pentear cabelo.Eu poderia ficar acordada assistindo os filmes que passavam de madrugada e teria dinheiro para comprar o que quisesse.

Na adolescência eu continuava acreditando que as coisas melhorariam quando eu fizesse 18 anos. Nada de avisar para onde estou indo e com quem estou indo, ter meu próprio meio de locomoção e finalmente sair da escola.

Fora tomar banho e pentear cabelo, coisas que me habituei, a única outra realização que tive aos 18 foi terminar a escola, que eu não agüentava mais.No mais ficou tudo igual. Meu terceiro molar, vulgo siso, por exemplo: todo mundo da minha escola tirou e eu nada.Não dizem que ele é o símbolo da maioridade? Alias está no dicionário "siso: bom-senso, juízo, tino". Como eu poderia passar para essa outra fase sem ele ter nascido?Ate cheguei a acreditar que eu era um exemplo da evolução humana e não tinha siso, mas amanha, depois de uns dias de dor e febre, vou tira-lo. É um rito: até nascer siso você não passa de um adolescente chato e mais tudo de ruim que a classe representa.

Outra coisa que me fez sentir grandinha foi ter ido sozinha ao cinema pela primeira vez. Foi uma conquista. Sai contando pra todo mundo. Tudo bem que fui em uma sessão matine, assistir "Procurando Nemo" em uma sala cheia de crianças, mas mesmo assim me senti adulta.

E por falar em ritos: pra você o que foi deixar de ser criança e virar adolescente? Espinhas na cara? Horas e horas no banheiro? Primeira(o) namorada(o)? Voz esganiçada? Pra mim foi assistir Anos Incríveis. Comecei lá pelos 11 anos, fui visitar meu primo Mário e ele estava assistindo o Kevin. Passou um tempo, eu estava passando pelos canais aleatoriamente quando dei de cara com a tal serie de novo. Recomecei a ver e não parei mais. Passava na cultura, e como quase ninguém vê Cultura eu achava que eu era uma das raras pessoas que conheciam a serie. Fiquei muito surpresa quando descobri que minha vizinha também assistia. Comecei a ver lá todos os dias e em pouco tempo já tinha umas 5 pessoas reunidas lá assistindo. Lembro do ultimo capitulo. Reunião com direito a pipoca e tudo mais.Silêncio Absoluto. Tinha também Confissões de Adolescente, mas não foi a mesma coisa.