4 de novembro de 2008

A Sete Chaves




Lembra quando você era criança e sempre surgia o assunto “quem você gosta”? Ele tinha mais ou menos a mesma importância do assunto “quem é seu melhor amigo”.
Todo mundo gostava de alguém, o colega de sala ou o menino da rua, e assim, sem entender nada sobre amor e sobre relacionamento íamos seguindo.
Era um segredo guardado a sete chaves. Contávamos no máximo para nossa melhor amiga e, ainda assim, após juras que envolviam nomes divinos e nossas mães mortas atrás da porta.
Depois de alguns anos chegou a brincadeira do beijo e começamos a colocar nosso afeto em prática, mas não, não era o fim dos segredinhos. As brincadeiras de pêra-uva-maça-salada-mista geralmente aconteciam nos fim das festas ou garagens dos prédios, com poucos participantes, ou melhor, poucas testemunhas. No outro dia rolava a fofoca de quem beijou quem, se foi de língua ou não e quantos minutos durou.
Com a bagagem de algumas saladas mistas, o beijo começou a não ser mais motivo de fofoca, agora todo mundo “ficava” e era na frente de todo mundo mesmo, nos shows, nas festas, na porta da escola. Mais tarde alguns ficantes começaram a namorar. Pronto, começou o boato que aqueles dois haviam feito sexo. Sério? A Ana não é mais virgem? Não sei, ninguém sabe. Mas imagina se os pais descobrem? E os pais descobriam, alias, todo mundo descobria, afinal estava todo mundo transando.
Com namoros somados, e algumas (loucas) até casamentos, conversamos sobre sexo como quem fala do preço da laranja. Falamos livremente sobre a primeira vez, posição favorita, número de parceiros, sobre a freqüência (ou a falta dela), o que leva nos leva a acreditar que não temos mais o que esconder, mas quem disse?
Basta perguntar sobre gostamos para surgir uma máquina do tempo que nos leva diretamente para primeira série, porque sim, apesar de ficar com aquele, ou ter feito sexo com aquele outro, acontece de gostar de um terceiro e não gostamos de sair por aí assumindo esses sentimentos. E não, não há caipirinha de kiwi que nos leve a dizer se já esquecemos, se amamos ou não, ou o que escrevemos naquele e-mail, não sem antes jurar pela mãe morta atrás da porta.
p.s: não mais, não mais...

9 comentários:

.leticia santinon disse...

hahahahahhaha....muito bom!

Caipirinha de kiwi, contar sobre o que escreveu...hahahaha...acho que qdo adolescentes, tinhamos menos pudor.

Anônimo disse...

posso dizer que nao tive essa fase dos segredinhos?
nunca contava nada meu pra ninguem, talvez por isso seja esse poço de estresse hoje em dia...rs

mas da segunda parte [falar e sexo como quem fala do preço da laranja, etc e tal] eu sempre brinquei e brinco até hoje. acho que prefiro. meus segredos são meus e não conto pra ninguém, nem mesmo jurando pela mãe morta.

de resto...pra que fazer charminho? rs

acho que sou despudorada desde pequena e essa parte da minha adolescencia ainda não acabou...rs

será que um dia acaba?

Eduardo Machado Santinon disse...

Legal esse texto hein Marcela! e tem mesmo essa porra de ter vergonha de falar de quem gosta até hoje né, bobeira né, e se eu metesse na mesma quantidade que eu falo de sexo meu pau tava fino já. Beijo e fica com Deus aí.

Anônimo disse...

eu tbm odeio. mas era o q tinha pra ontem...rs

Afonso disse...

hahaha, realmente as coisas acontecem assim. volta e meia lembro de como eram as coisas aos 10 anos, aos 12, aos 15... e sempre dou muitas risadas!
mas confesso que invejo toda aquela inocência - ou ingenuidade. a vida tinha mais emoção. ;)

Barbara. Negri. disse...

vc descreveu como fui....hahah...
adorei o texto...
bjo!

Rodrigo Artur disse...

A minha nova paixão é o waffer do Frans.
Isso é segredo, pois, meninos gostam de porção de calabreza acompanhados de uma cerveja num boteco podre.

Marcela Prado disse...

Sério que é do tipo que come frozen?

Eu sou do tipo que come calabreza.

Michele Prado disse...

Nossa, nem tinha me dado conta que tudo é assim mesmo. Meu Deus, voltei para a primeira série... que decadência!