27 de outubro de 2008

Balanço - Terça-feira, Julho 12, 2005


Já tem quatro anos que eu me mudei para São Bernardo do Campo, que eu sai da casa dos meus pais, que eu comecei a me preocupar com a minha comida, com a minha roupa, e com essas coisas todas que vocês já cansaram de ler por aqui. Sim, estou com aquela conversinha de fiada sobre o tempo, sobre a vida, e se bobiar até comento que você cresceu, que peguei você no colo, e isso tudo por que eu estou envelhendo. Fico refletindo sobre tudo que me aconteceu nos últimos anos, o que essa mudança me trouxe, e chego em vários pontos que eu gostaria de explorar aqui, mas hoje eu fui ler malvados e dei de cara com uma tirinha que fala sobre uma coisa que eu tenho pensando esses tempos: amizade. Sinceramente, acho que é a maior balela. As minhas maiores traições e decepções foram frutos de amizades, o pouco que vivenciei já é motivo de sobra para o Milton Nascimento ser processado e proibido de cantar aquela música que fala de guardar amigo do lado direiro do peito. Acho que esse tipo de relacionamento nada mais é do que um jogo de interesses e não entendo essa supervalorização. Talvez eu esteja sendo amarga, mas foi o que eu aprendi nesses anos, e sabe o que é pior? Meu pai me avisou, e me avisou a vida toda, mas na época eu achava que o errado era ele.

Um post piedoso - Terça-feira, Junho 28, 2005


Um post piedoso Eu não gosto muito dessa cantora, não escuto suas músicas e não acompanho seu trabalho, mas assisti um clip na MTV que tocou meu coração. Pobre moça. Foi iludida por algum cabeleireiro mal intencionado, que a transformou em um cruzamento da Elba Ramalho com o Ovelha. Não posso ver tamanha crueldade e não tomar nenhuma atitude, por isso lancei a campanha ¿Um cabeleireiro honesto para Shakira¿. Se você é mulher e já foi vitima desse golpe, ou se você simplesmente tem coração, entre no site www.shakira.com.br e recomende um profissional para nossa colega. Pode ser o da sua mãe, aquele cabeleireiro famoso, ou até mesmo o barbeiro da esquina, pois qualquer um pode deixar o cabelo da menina melhor do que está.

Sacanagem de Psicólogos - Sexta-feira, Maio 13, 2005


Quem ai já fez um teste psicotécnico? Eu já fiz um monte. Fiz na escola, quando eu estava na época do vestibular, fiz para auto-escola, senão não conseguia a carteira de motorista, fiz também pensão para estudantes, para fazer estagio na faculdade, para trabalhar em grandes empresas, e por ai vai. Os métodos são muitos - fazer desenho com pontos, rabiscar linhas retas, selecionar imagens iguais ¿ mas o resultado é sempre o mesmo: você não entende nada e sai do teste sem saber se é retardado ou não. Embora os psicólogos digam que eles servem para indicar qual a melhor vaga para seu perfil, o que querem mesmo é saber se você corre o risco de acordar um pouco mal-humorado e resolver metralhar seus colegas de serviço. Quando passo por uma seleção dessas e não me ligam mais eu entro em crise. Se elas ainda divulgassem os resultados, né? Mas não. Talvez eu seja uma serial killer em potencial e nem saiba. E como se já não bastassem todas as vezes que somos testados, os psicólogos entraram para o mundo moderno e inventaram agora uma nova forma de pesquisa, o exame psicotécnico via web. Para isso são usados os comments de blogs, torpedos via web, votação para Big Brother e outras paginas onde o internauta tem que apertar enviar. Antes de aparecer sua mensagem foi enviada é preciso passar para um quadrinho em branco o que você está vendo em um outro colorido. Letras, números, palavras. Até ai normal, mas acontece que de um tempo pra cá inventaram um jeito estranho de escrever, na maioria das vezes não para entender. Não da pra saber se é zero ou a letra o, as letras aparecem com um risco no meio, uma bagunça.Eu vou lá, escrevo o código: código errado, tente outra vez. E vai indo, um erro, dois erros, três erros, quatro erros, até que me irrito e desisto de enviar o que quero. Você já passou por isso? Também se perguntou o por que dessas escritas estranhas? Pois é, pura sacanagem de psicólogos.

Momentos Homer Simpson - Quinta-feira, Abril 21, 2005


Esse post provavelmente vai sair sem pé nem cabeça, já que a minha vida tem sido assim nos últimos dias. Troquei o dia pela noite,comecei a trabalhar de madrugada. Você está acordando e eu estou indo dormir, você está jantando e eu estou almoçando, você está curtindo um sol e eu a minha cama. Nada de ônibus lotado, nada de cliente irritado, posso navegar à vontade, e ainda ganho mais que os outros. Bacana, não? O único problema é a adaptação, nos primeiros dias a irritação é inevitável. Percebi isso no dia que fui comprar um chocolate quente em uma das maquinas do break. Casa dose é 0,25 centavos. Comprei uma, achei uma delicia, coloquei mais 50 centavos para comprar logo mais duas de uma vez. Tinha umas coisas escritas na máquina mas as letras eram pequenas e eu estava com muito sono para ler. Apertei o botão, nada de chocolate, apertei mais uma vez e nada, outra e nada, foi ai que o caboclo Homer Simpson baixou em mim. Falei palavras horriveis para a coitada, sacodi, e nada. Resmunguei, tentei enfiar um grampo para tirar a moeda e nada. Chamei o porteiro: - Tio, ou você pega os meus 50 centavos que está nessa mer** de máquina ou vou dar uma bica e ela vai cuspir a minha moeda na marra. É, eu tinha me tornando um ser irracional. Só não cumpri o prometido por ter me lembrado do aluguel no começo do mês. Um a zero para a máquina. No dia seguinte voltei a enfrentar a fera, e por preocucação resolvi ler as instruções, lá dizia que ela não aceitava moedas maiores que 0,25 centavos. -Aaaah. Foi isso então. Coloquei o dinheiro direitinho dessa vez, apertei a opção chocolate, extra acuçar e iniciar. Tudo lindo, tudo na mais perfeita harmonia, enfim e eu a maquina haviamos selado um pacto de amizade, foi o que eu pensei. Há, como fui ingênua. Quando começou a cair o chocolate percebi que faltava algo fundamental, o copinho. Eu não coloquei o copinho. Gastei 0,25 e o chocolate descia pela caninho, de volta para a maquina, a maldita maquina. Dois a zero para ela. Acho que o bairro inteiro ouviu o meu grito de desespero, ou de ódio. Não sei bem o que senti, só sei que gritei alto, bem alto, para ver se ela ficava com medo, ou quem sabe comovida. Afinal, poxa vida, ela é a minha fonte de glicose na madrugada. Mas não mãe, você não precisa mandar uma cesta de frutas nem falar com meu chefe, eu vou sobreviver. Ontem já consegui comprar um chá, quem sabe amanhã compro um café e mais pra frente um capuccino?


23 de outubro de 2008

No mundo da fantasia - Terça-feira, Abril 12, 2005


Todo fim de tarde eu chegava da faculdade e tentava cochilar um pouco, mas quase sempre não conseguia. Onde eu moro tem muita criança e batia com o horário que elas voltam da escola e ficam brincando no parquinho. No meio da gritaria eu sempre escutava a voz de homem que chamava por uma tal de Cacá. Pelo jeito que ele chamava, parecia que ele era o pai e estava chamando a filha que fazia bagunça. Devia estar correndo muito com a bicicleta, ou indo muito alto com o balanço, não sei. O que dava para perceber é que ela não dava ouvido aos chamados do pai, já que esse continuava ainda por um tempão "Cacá, Cacá. Cacá".
Comecei a imaginar como seria a Cacá. Qual apartamento mora? Qtos anos? Ah, uns 3 ou 4, senão o pai não estaria sempre por perto. Já deve ir pra escolinha, deve ter franjinha, bochecha corada, deve ser do tipo que deixa a professora e os pais de cabelo em pé, mimada pelo avô, que traz chocolate todo dia. Criei na minha cabeça o rosto, a personalidade a história de vida da Cacá. Quando passava pelo parquinho ficava imaginando qual delas era ela.
Se eu ficava um tempo sem ouvir a voz do pai, "ah, está quente. Devem ter ido pra praia, como todos por aqui". Já na segunda escutava o pai outra vez, "ah, sabia. Deve estar com o nariz descascando". Será que já está trocando os dentes? Acho que não. E assim foi indo, até que um dia ouvi o pai da Cacá chamando por ela no meu andar. Finalmente eu descobriria quem eles eram. Olhei pelo olho mágico e vi um entregador de gás. Nada da Cacá. Abri a porta e dessa vez, tão de perto, deu pra ouvir o que ele falava. Era a voz do pai, ou melhor, do homem que eu achei que era o pai, mas ele não falava Cacá como eu ouvia da minha cama, e sim "Olha o Gás".
A Cacá era um botijao de gás, nada mais do que isso. Não ria, não brincava, não corria, não tinha o cabelo preto e bem lisinho como eu havia imaginado.

A menina e o Papai Noel




Pagar contas no banco é uma chatice, sempre tem muita gente, filas enormes, burburinho, pessoas com pressa e todos os outros requisitos que um inferno deve ter. Como eu sou pobre, e não posso ser um cliente Van Gogh, Personalité ou qualquer outra dessas coisas que inventam para os ricos, sou também por obrigação frequentadora assídua desses lugares. Para piorar tenho conta no Bradesco, o banco mais fuleiro que existe.

Ontem foi dia de pagar aluguel e lá estava eu lá na fila, junto com outros zilhões de clientes pobretas, quando presenciei uma cena fofa. É que na fila dos aposentados tinha um senhor bem alto, meio gordo, com a barba bem grande, branca, e com cabelos compridos e brancos também. Já na minha fila tinha uma menininha de uns três anos que acompanhava a mãe. Já imaginaram a cena, né? - Mãe, mãe. Olha lá, é o papai noel.
A menina apontava pro senhor, os olhinhos brilhando, fazia que ia até ele, voltava envergonhada, olhava pra mãe. Na fila o pessoal todo começou a rir, ela nem percebia , tava toda encantada com o seu Papai Noel, que agora já mandava tchauzinho.

Maternidade e sensibilidade - Quinta-feira, Março 31, 2005


Eu fui uma criança grande. Aliás, bem grande. Sempre fui a última da fila, sempre me confundiram com alunos mais velhos, sempre se espantaram quando ouviam a minha idade, sempre diziam que eu devia praticar natação, basquete e coisas do gênero, diziam até que minha mãe devia me levar no médíco, que eu não era normal.
Quando entrei na adolescência mais problemas a vista: aos 10 anos eu já tinha 1,72. Era super infantil, mas as pessoas me viam como um adulto. Uma vez uma pessoa perguntou pra minha irmã se eu fazia a mesma faculdade com ela. - Não, a Marcela está na sexta série.
O tempo se passou, os meninos já são maiores que eu e não vejo mais problemas em não poder frequentar o parquinho, já que agora eu passei da idade mesmo. A questão é que os problemas vão, mas os traumas ficam. Destesto que me chamem de Marcelinha por que acho que estão me irozinando, e de Marcelão também não , ne? Muito masculino. Eu, desse tamanho, o que vão pensar? Não , não. Outra coisa: peguei aversão a esportes. Fiz de tudo, sempre sem sucesso, óbvio. Vôlei aos 8, quando todos tinham 14? Levava bolada o dia todo. Beijar uma pessoa mais baixa que eu em público? Jamais! -Ai, Marcela, que bobeira. Bobeira nada minha gente, eu sofri ué. É dificil de ententer? Deve ser, pelos menos pra minha mãe,que fez, sem minha permissão, as barras de todas as minhas calças. Repito: todas. Dá para acreditar?
Cheguei no fim de semana e quando me vesti senti aquele friozinho na canela. Olhei pra baixo, a barra não relava mais no chão. Eu quase aos prantos, meus irmãos rindos, e minha mãe super natural:-Ficou bem melhor, você parecia uma favelada daquele jeito.
Tive que conviver anos com o uniforme da escola curto, por que minha mãe só trocava no começo de cada ano letivo e com roupas que serviam na loja e não serviam mais quando eu usava pela primera vez, mas há anos eu dava o problema como resolvido.Agora estou super complexada, acho que ficaram curtas, que todas as pessoas estão olhando pra minha canela, que estão vendo a minha meia, que vou sentar e a calça vai subir até o meio da perna, um verdadeiro inferno que voltou a fazer parte do meu dia-dia. Cadê o maldito escritor daquele livro "Meu bebê, meu tesouro", que não incluiu o topico "Maternidade e Sensibilidade, aprenda a lidar com as necessidades do seu filho"?

Fadada à mesmice - Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005




Eu acho uma babaquice papos de frescor da juventude, bons tempos, e todo aquele lenga-lenga que diz que a vida só é boa até certa idade, depois disso você ja esta envelhecendo, lutando contra o relógio, mas esses dias eu tive uma conversa com meu pai que me deixou triste. Eu estava falando sobre a merda que é ser filho caçula, pois no começo tudo é novidade, os pais empolgados levam os filhos pra cima e pra baixo, depois cansam e só querem ver televisão. Eu como filha caçula peguei a parte chata. Nunca fui acampar, nem pescar, não fiz um monte de viagens que meus irmãos fizeram e tenho menos da metades das fotos que eles tem. Fora isso eu tava falando que ele não tinha me ensinado a jogar tênis, como fez com os mais velhos, e ele se defendendo. No fim da conversa disse que também não adiantava mais, por que tênis tem que começar a jogar criança, depois de velho não pega o jeito.
É, ele tá certo, não adianta mais.Eu não vou ser a revelação do tênis nacional. E pior, nem do tênis, nem da natação, nem do vôlei, nem da literatura, nem da música, nem de merda nenhuma, por que eu não tenho mais idade pra isso. Não é triste?
Sempre falam pra gente que cada um tem um talento especial, que mais cedo ou mais tarde você vai descobrir, mas depois de certa idade, o que mais pode se revelar? Mais nada. Já leu biografias? Fulano de tal começou tocar piano aos 4 anos. Beltrano mostrou habilidades especiais em cálculos desde a pré-escola. Ciclano fez seu primeiro invento aos 9. E quem não fez nada notável ate os 22? Senta e chora, pois foi enganado. Você não é bom em nada e tem que se conformar com isso. Você não tem talento nenhum e nem vai ter, como eu. Você e eu somos comuns. Igual a qualquer um, igual a todo mundo. Nascemos pra comer, dormir, procriar, e morrer. Nem hobby eu tenho, imagina talento. O que eu sei fazer? Nada, nem descascar laranja. Não é triste? Eu queria ser como o Bill Gates, droga! Queria ter uma esperançazinha de ter um talento especial e ficar milionária. Mas não, vou ficar chacoalhando no ônibus até me aposentar. Ou será que ainda dá para ser campeã de bocha?

Domingo, Dezembro 05, 2004




O que é mais auto-destrutivo?


A- Comer risoles e tomar coca-cola no café da manhã

B-Se apaixonar por um gay


Dessa segunda-feira não passa - Quarta-feira, Outubro 27, 2004


Um dia desses cheguei em casa e o Ludovic, o meu hamister, estava todo-todo lá em sua rodinha. Logo ele, que mau saia da casinha, que tinha até me preocupado achando que nunca iria rodar. Achei estranho esse interesse repentino por exercícios mas logo percebi o que era obvio: aquilo era um sinal.
Sim, meu hamister me dizia que eu devia voltar para academia, devia fazer esteira, devia deixar de lado essa vida sedentária. Resolvi ouvir a voz do mundo animal e fui à procura de exercícios. Natação? Hidroginástica? Piscina é bom, mas é muito caro. Fiquei com a academia mesmo. Seria a quinta nos últimos dois anos.
Fiz a matricula e fui logo avisando o professor que eu só ficaria se não tivesse que fazer aqueles exercícios com pesinhos. Eu odeio aqueles pesinhos, eles são sempre o motivo principal das minhas fugas, eles me irritam. O professor prometeu pensar e eu prometi aparecer no outro dia.
Acordo na manhã seguinte e visto minha roupa própria para ginástica. Pronto, já começo a me sentir ridícula. No caminho sinto que todos olham para mim, não dizem nada, mas sei o que pensam, eles estão se perguntando: onde essa ridícula, no caso eu, pensa que vai com essa roupa. Tento desencanar e paro para comprar água. O tio do supermercado pergunta se eu estava indo fazer exercícios.
¿ Ah, você está perguntando isso por causa dessa minha roupa patética?
Ele ficou sem graça e eu comprovei minha teoria. Segui meu caminho pensando em abrir uma loja de roupas de ginástica discretas. Talvez eu ficasse rica.
Chegando lá fiz tudo que o professor mandou, mas, não sei por que, minha pressão caiu. Comecei a passar mal, via tudo embaçado, enjoou. Pedi pra ir embora, mas não contei que tava passando mal. Fiquei com medo, ele interpretaria mal, eu tenho certeza. Das três uma, ele poderia achar que era fricote e me colocar pra ralar mais, poderia ficar assustado, achar que era algo grave, fazer um escândalo, parar todo mundo, chamar a ambulância ou a pior das hipóteses, achar que eu tava dando em cima dele, uma coisa cuida de mim. Não, não. Prefiro sofrer calada.
Por sorte não tive mais tempo de voltar, pois assim não sinto culpa de ter feito a matricula e ter freqüentado menos de uma semana.


Palavras apenas, palavras pequenas, palavras...

Eu sou da opinião que algumas palavras não deve ser ditas. Quer dizer, você pode até usar, mas eu vou pensar mal, com certeza. Acho que todo mundo tem isso, e não só palavras,mas atitudes também. Um amigo, por exemplo, contou que terminou tudo com uma menina por que no primeiro dia deles ela foi no banheiro com a porta aberta. Ele achou um absurdo, como assim, eles ainda estavam se conhecendo, não tinham essa intimidade. Eu já não ligaria para isso, mas essas palavras, ou melhor, essas gírias, do top de hoje são verdadeiras barreiras para mim.

Top 5 palavras chucras:

Cagar
Mijar
Rangar
Trepar
Trampar

Não, não dá.


Sai que eu sou VIP! - Quarta-feira, Outubro 06, 2004

Adivinhem! Arrumei um emprego e agora sou uma serva de publicitários. Passo o dia colocando em pratica algumas táticas para enganar pobres pessoas que não tem muita convicção do que querem e no fim faço com que elas gastem mais do que deveriam. Nojento, né? Uma dessas táticas criadas por pessoas desalmadas do marketing é convencer o cliente que ele é especial. Palavras como exclusivo, vip, benefícios são ótimas para convence-lo disso, ao contrario de multa e conta. Tem coisa mais manjada que isso? Eu me lembro de quando recebi aquele valor extra na minha conta corrente. -Uau, sou tão importante que o banco está me dando um valor extra pra eu gastar como quiser.
Devíamos aprender com esse erro, assim como quem queima a mão na fogueira ou põe o dedo na tomada, mas não é o que acontece. Parecer especial no meio de tantos outros ainda nos seduz, principalmente pessoas como eu, pobres, que sempre ficaram do lado de fora da corda.
Quando eu era criança e ainda ia ao circo eu sentia inveja das pessoas que sentavam naquelas cadeiras lá da frente, de metal , vendo tudo de perto e às vezes até participando de umas brincadeiras, enquanto eu ficava na arquibancada de madeira vendo tudo de longe. Ser VIP deve ser legal, era o que eu pensava.
Cresci e em algumas situações consegui estar nessa condição, a de gente importante, pena que todas foram roubadas.
A primeira foi quando eu fui convidada pra a Fashion Week. Não, não a de São Paulo, a de Poços de Caldas. Fui pra beber champanhe, mas não teve nem refrigerante com empadinha.
A segunda foi numa pré-estréia, a primeira da minha vida. Gente histérica, filme ruim, só me animei depois, quando vi que uma das cenas do filme tinha sido gravado na rua da minha casa, me senti morando em Hollywood.
Já a terceira foi no show dos Los Hermanos , a Pândega comprou o meu ingresso e o dela, e os ingressos vieram errados, vieram pra parte VIP, embora tivéssemos comprado para a pista. Ficamos animadíssimas, mas nem deu para aproveitar, pois o Kenan não deu a mesma sorte que a gente e não podíamos deixa-lo sozinho, ainda mais naquele estado lamentável que ele se encontrava. Tudo bem, já que a pista é mais animada, mas toda vez que alguém esbarrava repetíamos: - Sai que eu sou VIP.
Sim, tínhamos sido contaminadas. Conclusão: sou tão idiota quanto os meus clientes.



Quando eu era criança queria... - Quarta-feira, Setembro 29, 2004

ter oito filhos
tomar o café da manhã da Xuxa
ter um walkmachine
que os cachorros vivessem tanto como os elefantes

De todas essas opções a ultima vontade é a única que permanece. Como seria bom se eles vivessem o bastante para acompanhar toda a nossa vida, e que assim não houvessem despedidas. Meu cachorro ainda estaria aqui, eu não me sentiria culpada por não tê-lo ajudado quando ele precisou, eu ainda teria tempo de deixar que ele passeasse o quanto quisesse, por todos os jardins, sentindo todos os cheiros.Ele ainda poderia colocar o focinho para fora do vidro do carro, como se estivesse recebendo o mundo todo na cara. Eu faria sua vontade e permitiria que ele observasse mais o que tinha além do muro, do jeito que sua natureza curiosa pedia, que corresse atrás dos seus passarinhos, mas não, as coisas não são assim e isso tem me feito muito infeliz nos últimos dias.
Foi por isso também que eu não postei na última semana, por estar triste e por ter medo de ouvir alguém falando que eu devia lembrar de quem não tem casa pra morar ao invés de me preocupar com um cachorro. Eu me preocupo com as pessoas, com as crianças e coisa e tal, mas por que isso tem que fazer com que eu seja indiferente a um ser que me acompanhou durante 12 anos? Sinceramente não consigo, não quero e nunca vou entender pessoas assim.



1, 2, feijão com arroz - Quarta-feira, Setembro 15, 2004


Acho divertidíssimo não saber o que vou estar fazendo daqui um ano. Até Junho, se tudo der certo, ou seja, se nenhuma turbina de avião cair na minha cabeça durante a noite, eu vou estar estudando. Mas e depois? Não faço a mínima idéia! Vai a acabar a faculdade, não sei se vou estar trabalhando, não sei se continuarei morando aqui, não sei de nada. Não é ótimo? São tantas opções, tantos caminhos.
Pensando nisso eu me lembro de quando eu precisava escolher que curso queria fazer. Medicina? É, pediatria, cuidar de crianças, legal, mas pensando bem tem que estudar muito, talvez anos de cursinho. Não, não. Veterinária? É isso, bichos é o que há. Mas nossa, todos os bichos? Cavalos, bois? Não posso me limitar aos cachorros e aos gatos? Então nada feito. Psicologia? Não, vou acabar em um R.H de uma empresa de cosméticos. Estáticas? Pode ser, e...o que? Não, para tudo. Estatística?
Pois é, meus caros. Eu já pensei em fazer estatística. Li naqueles manuais de profissões e achei interessante. Da pra acreditar? Logo eu que sempre fiquei de recuperação, que até hoje não entendi logaritmos, que tremo na hora de fazer uma divisão de decimais. Minha cabeça é tão voltada para humanas que os números pra mim não são só números, eles tem caráter, tem uma historia de vida. Não entendeu? É mais ou menos assim:

N° 1- Bonzinho, irmão caçula. As vezes pentelho, mas perdoável.
Nº 2- A irmãzinha, legal também. Se da bem com o irmão 4.
Nº 3- Menina rebelde, acha que ninguém gosta dela, mas a 6 e até a 9 gostam.
N° 4- Super prestativo, sempre ajuda a mãe 8.
Nº 5- Chatíssimo, sempre irritando os outros, atrapalhando.
Nº 6- Ela é mãe, né? Barrigudinha e tudo mais. Ama a 3 e a 2, sofre por ter que dividi-las com outras mães.
N°7- Um cara estranho, que sempre quer ficar sozinho.
Nº 8- Mãe também, mas não sofre tanto como a 6, mais madura, sabe? Seu único defeito é mimar demais o 4.Ah, não podemos deixar de citar a forma, igual a de Vênus.
Nº9- Abominável. Interesseira. O pior dos números. Para entender isso é preciso saber que todo unitário quer ser dezena, é a ambição de todos. O cinco quer sempre ser 15, o 4 quer ser 14 e por ai vai, é instintivo, esta na psique numeral. Então eles pedem, ingenuamente, a ajuda da nove, daí ela que é uma sacana sempre passa perna e rouba um ponto, logo o 6 que queria ser 16 acaba virando 15, o 8 vira 17, e por ai vai.

Alguém aqui também pensa assim? Os números são mais que meras representações para você? Caso sim, se manifeste, pois meus amigos disseram que isso não é normal e eu quero provar que é sim.

Ele está no meio de nós! - Quarta-feira, Setembro 01, 2004

Se alguém me perguntar se eu tenho alguma crença religiosa eu fico em duvida. Digo que não, e quero acreditar que não, que é tudo uma besteira, mas às vezes me vejo presa na educação que recebi. Nego acreditar em paraíso, ou o contrario dele, mas morro de medo de purgatório. Toda vez que faço algo que acho errado me imagino na frente de um grande portão de ferro, tentando entrar para o céu, e um anjo olhando a minha ficha, vendo o que eu fiz e o que eu não fiz.

-Não, não, não. Está aqui, você quebrou o vaso e culpou seu irmão. Desce!

Na catequese, que eu tinha que ir todo o sábado, eu aprendi também que Cristo pode vir na forma de um mendigo, por exemplo, para testar a minha bondade. Como onde eu moro sempre tem alguém pedindo algo, eu me sinto testada o tempo inteiro. Toda hora estou dando um troquinho para quem pede e me sinto super culpada quando não dou.
Esses dias eu tava voltando do supermercado, cheia de sacolas na mão, quando começou a chover. Estava tentando ir mais rápido para me molhar menos quando ouvi alguém me chamando. Era uma mulher com um guarda-chuva. Céus, quanta bondade, ela vai me oferecer carona até em casa, que bom. Ta vendo só? Ainda dizem que os paulistas não estão nem ai pro próximo, pura implicância.
Cheguei mais perto e adivinha? Ela me pediu um trocado para pegar o ônibus. Não acreditei, eu ali, ensopada, cheia de sacola, e ela, toda sequinha, ainda tem a cara de pau de me fazer parar e me pedir dinheiro. Eu quis esganá-la, arrancar o guarda-chuva e dar na sua cabeça, dar uma sacolada na cara, tudo, mas só consegui responder um sem-graça ¿sinto muito, agora não tenho¿, e pensar: porque diabos eu não nasci numa família de ateus?

Morram de Inveja - Segunda-feira, Junho 28, 2004

Durante o fim de semana inteiro ouvi o barulho de fogos de artifício. Seria um jogo do Corinthians? Um jogo do São Caetano?Seria um comício? Seriam as festas juninas?
Não achando resposta decidi que os fogos eram pra mim, eles sabiam da minha vida e estavam festejando também, compartilhando a minha felicidade, comemorando.Quanta alegria!
Sim, sim, meus caros. Eu estou saindo de férias. Chega de trabalhos, chega de macarrão com salsicha, chega de roupa mal passada, chega de colchão ruim, eu estou indo pra casa.
Só não digo chega de blog também, como das outras vezes, por que minha filosofia agora é nerd que é nerd posta até em cyber café.


Metamorfose Ambulante - Sexta-feira, Junho 18, 2004



Quem disse que não podemos mudar de idéia? É claro que podemos, eu posso, você pode, ainda mais na minha idade, idade onde as pessoas estão cheias de duvidas, estão inseguras, conhecem tão pouco da vida.
Você já foi totalmente contra algo e depois foi a favor? Pois isso aconteceu comigo de ontem pra hoje, acordei diferente, acordei outra.
O que? Não, eu ainda odeio a Sandy. A mudança foi com a minha opinião sobre cirurgias plásticas. Se antes eu achava um absurdo, hoje eu penso na hipótese.
É serio, meninas. Eu sei que eu sempre falei que peitos de silicone parecem bexigas, que lipospiração é horrível, que aquele cano de sucção parece o que a minha mãe usa para temperar o peru de natal, que eu prefiro a honestidade das rugas aos grotescos rostos sem expressão, mas eu mudei. Eu entrei pro time, eu quero me retalhar.
Cansei da minha cara, sabe? Cansei de ouvir pelo menos uma vez por dia alguém perguntando se estou brava, ou contando que me achou super seria quando me conheceu. Cansei de explicar que a minha é fechada assim mesmo, que herdei do meu pai, que isso não tem a ver com o meu humor. Cansei, cansei de verdade. Não quero mais me explicar e também não quero mais ser confundida com um carrasco. Quero mudar, quero estampar um sorriso enorme no rosto. Quero que olhem pro meu rosto e digam: -Nossa, como ela é feliz. Ou, ela é feliz de doer. Assim eu não preciso ficar dando explicações e todo mundo vai me achar super legal, logo no primeiro contato. Talvez eu ate me saia melhor em dinâmicas de grupo.
-Sim, sim. É possível. Tem algum rosto que você quer usar como referencia? Xuxa? Vera Fisher? Julia Roberts? São sorrisos bonitos.
-Não, não doutor. Eu quero algo com mais impacto, mais direto, algo assim como o Coringa do Batman. Pode ser?


Um post apaixonad0 - Sábado, Junho 12, 2004



Eu já contei que existe um alguém que eu amo? Já contei que o amei desde o primeiro momento? Que nada mais foi igual desde então? Que os meus sonhos começaram a ter sempre o mesmo tema?
Já contei que as pessoas percebem o que eu sinto quando toco no nome dele? Que eu estremeço só de ouvir a sua voz? Que eu sei de cor onde fica cada pinta, cada pelo?
Já contei que esse amor me perturba, me tira a razão? Que eu fui capaz das maiores insanidades para estar perto dele?Que a vida insiste em nos separar? Que tudo isso faz do dia dos namorados uma data triste, faz a dor mais aguda e a ausência mais angustiante?

O amor está no ar - Segunda-feira, Junho 07, 2004

Essa semana, como todos já sabem, é a semana oficial do massacre emocional, época onde os publicitários malvados se juntam com lojas de celular, roupas, perfumes e outros presentes para acabar de vez com o já tão fragilizado coração de quem sofreu uma desilusão passada e ainda luta para supera-la. Em outras palavras: o dia dos namorados é daqui alguns dias.
Já adianto que não vou perder meu tempo falando que é só mais uma data comercial e que eu não estou nem ai pra isso.
Vim ate aqui só para dizer que, pelo motivo acima, talvez eu suma por algum período de tempo, ou quem sabe para sempre.
Se vou sair para procurar um namorado?Não, não da mais tempo. Vou é me afundar no garrafão de vinho que guardei em casa para esse dia tão especial.
Só falta decidir qual vai ser a trilha sonora, andei pensando nas musicas de Baden Powell, mas meus amigos me convenceram que Adriana Calconhotto no ultimo volume é mais eficaz.

A musica escolhida foi essa:
"Eu perco o chão, eu não acho as palavras.
Eu ando tão triste, eu ando pela sala
Eu perco a hora, eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco as chaves de casa, eu perco o freio
Estou em milhares, eu estou ao meio
Onde sera, que voce esta agora?"


Só na cafeína - Terça-feira, Julho 20, 2004


Eu costumava brincar que existem três tipos de pessoas que não são dignas de amizades: as que não bebem, as que não assistem novelas e as que não jogam buraco. Tem coisa mais chata do que ir em uma festa ou a um bar com alguém que não bebe? Tem coisa mais chata que chegar eufórica para contar que leu na banca de revistas que o Paco vai beijar a Preta e a pessoa perguntar quem é Paco? Tem coisa mais chata do que passar um dia de chuva junto com uma pessoa que não sabe jogar buraco?
Sim, tem. Ir na padaria ou servir lanche da tarde para uma pessoa que não bebe café, e eu não bebia café.
Varias vezes eu era convidada para tomar café da tarde de alguém e chegando lá só tinha café mesmo, nem um suquinho nem nada, só a pessoa com aquela cara de sem graça, desculpe, eu não sabia. Fora a inveja que eu sentia das pessoas que sabiam beber café, faziam aquela cara de prazer, eu ficava morrendo de vontade mas quando provava achava horrível, venenoso, não conseguia entender como alguém podia achar aquilo bom.
Depois de anos de não ao café e de ser muitas vezes excluída pelos que gostavam de bebe-lo, eu decidi mudar esse quadro, defini que nessas ferias eu tinha que aprender a beber. A primeira vez foi tão ruim como as anteriores, aquele gosto forte, aquela cor duvidosa, pensei ate em desistir, mas segui em frente. No segundo dia já achei gostosinho, e no terceiro até já senti vontade e comecei a espalhar feliz da vida para todo mundo que agora eu sou uma pessoa que bebe café.
O engraçado é que embora eu sentisse vontade aquilo ainda não estava incorporado a minha rotina, fui em uma padaria tomar lanche e pedi um suco de laranja. Ve se pode? Esqueci. Fiquei triste comigo. Será que eu nunca me tornaria uma bebedora de verdade? No outro dia já fui pensando no caminho, para chegar lá e pedir café. Chegando lá, café na cabeça, surge outro problema. Não conheço o linguajar ¿cafeines¿. Como se pede um café? Eu só estava bebendo em casa, não sabia como se fazia por ai. Um cafezinho? Um café? Uma xícara de café, com açúcar e chantilly? Fiquei com medo de que todo mundo percebesse que eu era nova nesse meio, medo de passar vergonha. Vi um cara pedindo apenas por café mesmo, sendo servido no copo com o potinho de açucar do lado, resolvi imitar e falei exatamente o que ele falou, um café por favor. Café servido, e agora? Qual a quantidade de açúcar necessária? Acabou ficando ruim, mas tudo bem, eu chego lá.