29 de novembro de 2008

Você no meu Google Analytics


Na minha opinião, a coisa mais legal que inventaram no mundo bloguiano foi o google anatytics. Tá, tá tá. Eu sei que já existiam outros, mas eu não conhecia, então que se danem.
Para quem não sabe, o Google Analytics mostra relatórios de visitas ao blog, diz quantas pessoas visitaram, de onde são, quanto tempo ficaram, de onde vieram e o melhor de tudo, porque vieram, revelando a palavra ou frase que eles procuraram no google até cair no seu blog. Essa é a primeira coisa que eu procuro quando entro no analytics, a sessão de palavras-chave. Eu escrevo algo como Brad Pitt aqui, e pronto, amanhã eu fico sabendo que tantas pessoas caíram aqui pesquisando sobre o assunto. Não é super divertido? Bem, eu acho.
No meu antigo blog, por muito tempo a palavra campeã era batomuche. Gente, por que as pessoas querem tanto saber de um acidente no mar? Morbido, não? Mais tarde eu escrevi um textinho que falava de sexo com legumes e nossa, sexo com legumes liderou o ranking, continuando firme até o fim do blog.
Como o Umbigo Roxo é um blog de familia, não tem nenhuma palavra-chave sexual na liderança, só algumas pesquisas perdidas, como sobre feira de sacanagem , outra de homem de fio dental e sobre a Marcela Prado. Por onde andará Marcela Prado, a filha de Marcela Prado, Marcela Prado pelada, e também o nome correto, Marcella Prado, com a consuante dobrada, minha xará, coelhinha da playboy, garota fantástico, ex-namorada o Airton Senna, com quem (dizem) teve uma filha.
Será que eu passo a usar Marcela Paiva? Demorei tanto até optar pelo Prado.

Abaixo outras pesquisas um tanto inusitadas que apareceram por aqui:

  • a uva roxa tira a vontade de vomitar
  • o que fazer para afundar o umbigo do meu filho
  • como humilhar uma pessoa em cinco dias
  • dançando na chuva de papai noel
  • foto umbigo homem com hernia
  • umbigo embolorado
  • patentear o milho roxo
E eu fico em casa rindo da mãe desesperada com um inofensivo umbigo saltado.

16 de novembro de 2008

Sobre os mistérios do mundo


Eu adoro essa músicas, mas...




o que é esse tal ive brussel?

10 de novembro de 2008

Sobre carências


Agora eu tenho um amigo mudo. Ele me liga de um número inibido e não fala nada. Eu deixo o telefone ligado, e ele fica lá, ouvindo, ouvindo, volto depois de meia hora e ele ainda está lá, tadinho. Carente o menino. Ou a menina.
Hoje meu telefone tocou e logo vi que não era da minha agenda. É o Mudinho, pensei, mas eu atendi e falaram comigo.

-Alô. Quem ta falando?
-Marcela.
-Oi, Marcela. Aqui é o Eduardo. Você deixou seu telefone agora na internet?

 Corri na mente todos os Eduardos que eu conhecia, e nenhum tinha aquela voz.

- Acho que deve ser um engano.
- Mas você não estava na internet agora?
-Não.( Milagrosamente eu não estava mesmo)
-Onde você está? Em Varginha?
-Não, em Poços de Caldas.
-Ah, ok. Foi um engano então, desculpe.

 Enquanto eu falava com o tal Eduardo a minha chamada em espera tocou. Atendi, era uma ligação a cobrar. Desliguei. Chamou de novo. Resolvi atender.

- Oi, você deixou seu telefone na internet. Desculpe ligar a cobrar, mas eu estava viajando, e...
- Eu não deixei meu telefone na internet.
-Ah, desculpe então.

Fiquei com a pulga atrás da orelha. Por que dois homens ligariam assim, ao mesmo tempo? Resolvi retornar para o tal Eduardo para tirar satisfação e a história vocês já devem imaginar. Alguém entrou em um bate-papo e escreveu  “Quero sexo. Me liga agora, número tal”. Legal, né?
Conclusões dessa história bizarra:

 1º - Alguém me odeia. E esse alguém tem meu celular. Talvez seja o meu amigo Mudinho. Ou melhor, meu inimigo Mudinho.

2º- Tem gente carente e desesperada no mundo. Mais do que eu, mais do que você, mais do que o Mudo. Basta uma promessinha de prazer e pronto. Não é a toa que perdem rins por aí.

 

8 de novembro de 2008

Sobre quintais e amoras

Eu vou pouco ao meu quintal. Talvez eu vá uma vez a cada dois meses, algumas épocas menos. Acho que já cheguei a ficar mais de um ano sem pisar lá. Olho aqui de longe, da varanda, vigio, mas não vou.
Ontem eu fui e foi bom. Notei que as mudas de hortelã que eu plantei finalmente pegaram, que meu pé de melissa cresceu bastante e que infelizmente passou o tempo das amoras. Fiquei triste porque eu mal tive tempo de comê-las.
Opa! Não tive tempo de comer amora? Como assim? Eu passei horas no msn, no twitter, no orkut, assisti tv e não tive tempo de comer amoras?
Claro que eu tive. Assim como eu tive tempo para ver meu amigos, ver meus avós, de tomar um banho demorado, de ler um bom livro, o que for, mas não o fiz. Então assumo minhas escolhas, certas ou erradas, e digo " eu não fiz porque não quis"? Claro que não. Eu prefiro por a culpa na vida, no tempo, no trabalho, no sistema, na minha mãe, ou seja lá em quem for conveniente.



* foto: Gato Frank Sinatra, que sempre vai ao quintal.

7 de novembro de 2008

Qual seu maior sonho?





Meu maior sonho é ter uma casa própria, respondeu o pai de família.

Ser piloto de avião, sorriu o menino.

O meu é ir ao banheiro todos os dias, suspirou a moça.

4 de novembro de 2008

A Sete Chaves




Lembra quando você era criança e sempre surgia o assunto “quem você gosta”? Ele tinha mais ou menos a mesma importância do assunto “quem é seu melhor amigo”.
Todo mundo gostava de alguém, o colega de sala ou o menino da rua, e assim, sem entender nada sobre amor e sobre relacionamento íamos seguindo.
Era um segredo guardado a sete chaves. Contávamos no máximo para nossa melhor amiga e, ainda assim, após juras que envolviam nomes divinos e nossas mães mortas atrás da porta.
Depois de alguns anos chegou a brincadeira do beijo e começamos a colocar nosso afeto em prática, mas não, não era o fim dos segredinhos. As brincadeiras de pêra-uva-maça-salada-mista geralmente aconteciam nos fim das festas ou garagens dos prédios, com poucos participantes, ou melhor, poucas testemunhas. No outro dia rolava a fofoca de quem beijou quem, se foi de língua ou não e quantos minutos durou.
Com a bagagem de algumas saladas mistas, o beijo começou a não ser mais motivo de fofoca, agora todo mundo “ficava” e era na frente de todo mundo mesmo, nos shows, nas festas, na porta da escola. Mais tarde alguns ficantes começaram a namorar. Pronto, começou o boato que aqueles dois haviam feito sexo. Sério? A Ana não é mais virgem? Não sei, ninguém sabe. Mas imagina se os pais descobrem? E os pais descobriam, alias, todo mundo descobria, afinal estava todo mundo transando.
Com namoros somados, e algumas (loucas) até casamentos, conversamos sobre sexo como quem fala do preço da laranja. Falamos livremente sobre a primeira vez, posição favorita, número de parceiros, sobre a freqüência (ou a falta dela), o que leva nos leva a acreditar que não temos mais o que esconder, mas quem disse?
Basta perguntar sobre gostamos para surgir uma máquina do tempo que nos leva diretamente para primeira série, porque sim, apesar de ficar com aquele, ou ter feito sexo com aquele outro, acontece de gostar de um terceiro e não gostamos de sair por aí assumindo esses sentimentos. E não, não há caipirinha de kiwi que nos leve a dizer se já esquecemos, se amamos ou não, ou o que escrevemos naquele e-mail, não sem antes jurar pela mãe morta atrás da porta.
p.s: não mais, não mais...

1 de novembro de 2008

O Santo das Causas Impossíveis





Eu queria acreditar em Deus, santos e promessas, mas não consigo. Foi o que eu disse para a moça que me aconselhou a fazer um pedido para São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis. Ela insistiu, que mal faria? Resolvi tentar, mas o que eu poderia prometer? O que São Judas, lá do alto de sua nuvem, acharia realmente esforçado para mim? Não comer chocolate, sorvete ou carnes? Ir pelo estômago é muito clichê, pensei. Nem ele deve agüentar mais essas promessas de mulherzinha.
Cogitei em não entrar mais na internet, o que seria realmente difícil para mim, mas não sei qual o pé de modernidade de São Judas. Talvez ele não considere uma promessa legítima. O que São Judas entende de orkut, blogs, msn. blip, twitter e etcs? Vai me dizer que ele tem perfil no facebook? Se sim, talvez seja mais interessante mandar um e-mail. Ahn?
Ela me aconselhou a entregar uma cesta básica por mês. Achei interessante. Não sairia muito caro, não seria cansativo como subir uma escadaria de joelhos, e ainda tem apelo emocional. Dá certo em programas de TV, talvez dê certo para mim.
Contei pra ela que não cumpri uma promessa uma vez. Será que tem problema?
Eu estava na sexta série e meu pai disse me daria uma moto Jog se eu não pegasse nenhuma recuperação. Eu sabia que a probabilidade era pequena, pois estava mal em inglês, então resolvi fazer uma promessa para São Longuinho. Se eu não pegasse recuperação, daria 500 pulinhos.
Deu certo, eu não peguei recuperação, mas... também não ganhei a Jog. Nada mais justo que não dar os 500 pulinhos, certo? Errado. São Longuinho ficou puto. Tão puto que espalhou minha fama de má pagadora por todo o reino das divindades, de forma que meus pedidos nunca mais foram atendidos. Acho que São Longuinho é uma espécie de serasa do céu. Não há São Jorge que me salve, muito menos Santo Antônio, que resolveu tomar todas as dores do Longuinho e ferrar minha vida amorosa pra todo sempre. O jeito é torcer para que São Judas não faça parte dessa patota e me ajude, afinal, são doze cestas básicas, certo São Judas?

30 de outubro de 2008

Mudando de Mala e Cúia






Caros amigos, inimigos e pessoas que caíram aqui por acidente: é com muito prazer que inauguro minha mais nova menina dos olhos, meu mais novo passatempo, meu novo blog, o Umbigo Roxo.

Muita gente andou me perguntando sobre a mudança, então resolvi fazer esse post-explicação. Ok, só 3 pessoas perguntaram, mas vamos lá:

- O Alinhadamente Anormal era do antigo blogger, feito em uma conta de e-mail da globo.com que não existe mais, então eu morria de medo que ele um dia simplesmente desaparecesse.
Fora que esse antigo blogger parou no tempo e era muito chato mexer nele. Qualquer alteração tinha que ser feito em html e eu não tenho mais estabilidade emocional para isso.

- Eu detestava o nome e o visual do meu blog. Fora o endereço, aablog, que eu fiz quando não tinha entendido ainda o que era um blog.

- Sim, eu fiz questão de passar para cá todos os textos do aablog, mesmo sabendo que as pessoas só lêem o último post. Por quê? Puro apego barato. De qualquer forma foi divertido reler textos que eu nem lembrava e, por exemplo, notar que eu não sabia acentuar. Alguns textos eu arrumei, outros não, porque eu acho que tinha um q de ingenuidade, tinha lá a sua beleza, sabe? Ah, tá bom vai, fiquei com preguiça.

- Perguntaram muito também ( 2 pessoas) se eu vou escrever com mais assiduidade por aqui. Bom, a minha realidade costuma ser bem mais preguiçosa que a minha fantasia, mas pelo menos a minha intenção é escrever uma vez por semana ou mais.

Por favor, atualizem seus links e até logo mais!

Sobre banheiros - Terça-feira, Setembro 30, 2008





Eu sempre gostei de banheiros. Banheiro é com certeza a melhor parte da casa. Acha estranho que agora as suítes dos ricos possuam um banheiro pra cada casal? Pois eu acho um sonho de consumo. Talvez eu goste por ter mais dois irmãos mais velhos e ter que dividir tudo, não ter privacidade pra nada. Desde criança me trancava no banheiro e ficava horas lendo gibi. Hoje eu não leio mais gibis, mas ainda me tranco. Converso no telefone, escrevo cartas, poemas, músicas, em suma, o banheiro é o meu divã.
O meu grande desconsolo é que agora eu mal freqüento o meu banheiro, praticamente só uso banheiro público. Escovar os dentes, que sempre foi algo íntimo pra mim, agora é como ir à feira. Passo o fio dental e discuto a novela das oito com a estranha que lava as mãos na pia ao lado. Dizem por aí que os banheiros femininos são mais sujos que os masculinos, mas cá pra nós, o vaso sanitário não deve ter sido inventado por uma mulher. Só quem é mulher sabe como é difícil não se encostar no vaso. É uma verdadeira arte, e direto nos damos mal nessas tentativas, principalmente com algumas doses a mais. Homem não, homem se ajeita em qualquer moita, o que também é nojento, embora invejado por nós.
Na rodoviária Tiête tinha uns tempos pra trás um vaso moderno, que tinha um plástico sobre o assento, e depois que você usava era só acionar a máquina que ela trocava. Era o melhor banheiro público. Pagava um real, mas pagava feliz. Lá eu podia me sentar sem ter medo de pegar uma doença venérea ainda não catalogada. Pena que, segundo a faxineira, as usuárias não tenham se adaptado. As mulheres não entediam como funcionava, puxavam o plástico com força, estragavam a máquina, e a administração resolveu voltar ao velho vaso de sempre.
É, o jeito é ir treinando o equilíbrio. Qualquer hora eu descubro uma boa técnica e publico aqui, caras companheiras de banheiro.

Djobi, Djoba! - Quarta-feira, Setembro 17, 2008

Cheguei a conclusão que preciso refazer minha lista de músicas favoritas. Sim, eu faço listas, ainda que mentais, e na minha lista de músicas não cabe mais aquelas músicas de alguns anos atrás. Acho tudo pra baixo, tudo a um passo do suicídio. É, parece que eu gostava de uma fossa. Lembro que tinha Travessia, tinha Retrato em Preto e Branco, Drão, Sabiá, enfim, tudo triste, triste, triste. Não que agora eu seja a garota propaganda da felicidade em cápsulas, mas sou diferente. Mais leve, eu diria. Talvez quando eu chegar aos setenta só escute Ivete. Comentei com meu amigo sobre isso e ele me disse que não tinha um top cinco, ou top dez, mas gostava de uma do Gonzaguinha e uma chamada Djobi Djoba. Sabe qual é, né?

http://www.youtube.com/watch?v=hVb5araL39k

Agora me diz, que tipo de pessoa tem essa música como preferida? E pior, assume assim, sem o menor receio. É mais ou menos como confessar que gosta de ouvir Lulu Santos, ou de assistir Lagoa Azul. Pra mim só bêbada na mesa do bar, ou a base de tortura. Mas o Dú, bem...ele abriu um blog, aos poucos você vai descobrir.

Blog do Dú: http://comportamento-geral.blogspot.com

Aniversário Analógico - Sexta-feira, Agosto 29, 2008


Meu aniversário começou com a já esperada ligação do meu pai, pontualmente a meia-noite. Pronto, 26 anos. Agora já não tenho vinte e poucos anos, mas sim vinte e tantos. Entro no orkut, quem sabe já tem alguma mensagem? Não, nada. Poxa, ninguém acordado essa hora?
Acordo com o interfone tocando, era um entregador com uma cesta de café da manhã que meu pai e meu irmão compraram e eu me empanturrei, apesar da dieta recente. Ah, é meu aniversário, oras. Entre uma rosquinha e outra, entro no orkut outra vez e nada. Cadê as pessoas que acordam cedo pra trabalhar? Já são nove da manhã, pessoal.
Mais tarde me toquei: esqueci de colocar a data de aniversário no orkut! Entrei em configurações e batata. Estava só para eu ver. Mudei a opção, mas já era tarde. Não apareceu mais e ninguém ficou sabendo, o que foi triste e legal ao mesmo tempo. Só alguns poucos amigos lembraram, mas eu não tive que ficar respondendo aquelas mensagens chatas de pessoas que eu mal conheço. Um dia de aniversário íntimo, como nos velhos tempos. Eu até poderia ajustar a data pra outro dia, como um conhecido fez quando viu que cometeu o mesmo erro que eu, mas seria o cúmulo da carência virtual.
Já no shopping, falei pro meu amigo Zezinho Garçom que era meu aniversário, quem sabe ele me arrumava um almoço de graça? Ele não acreditou, pois não estava no orkut. Argumentei que havia esquecido de colocar a data lá, e ele continuou achando que era mentira. Acredita? Não ganhei nem um refrigerante! É o fim dos tempos, não é?
Ao longo do dia falei do meu aniversário via msn com algumas pessoas e elas responderam a mesma coisa: mas não tá no orkut! A minha sorte é que minhas tias e minha avó não entraram na era digital e continuam usando as velhas e inabaláveis agendinhas de papel. Recomendo.

Mulherada muito louca com doce na boca - Sábado, Julho 26, 2008



Eu tinha muita coisa pra escrever sobre os meus últimos meses. Sobre me mudar pra São Paulo, sobre não achar uma casa pra morar, sobre como é ficar na casa de amigos por um mês, sobre pequenas delícias da capital, sobre como é ruim acordar cedo e só voltar a noite e até sobre como mudar os planos, voltar pra casa, pensar em desistir do mestrado, fazer outro vestibular, enfim, mil coisas, mas eu não tive tempo de escrever na época e as coisas não fazem sentido depois de um tempo. Depois que passa tudo parece bobo.

E por falar em bobo, eu vou às Lojas Americanas todo dia, mais ou menos no mesmo horário, compro um chocolate Alpino Barra e fico passeando por lá. É um ritual meu. E todo dia rola paralelamente outro ritual, alguém escolhe um cd do Charlie Brown Jr. pra tocar. Todo santo dia, no mesmo bat-horário: Chorão, sua turma e eu, que fico me lembrando de quando tinha 15 anos. É, eu gostava de Charlie Brown Júnior. Fico tentando lembrar o porquê e não chego a uma conclusão. Eu gostava de Caetano, de Chico, e poxa vida, de Charlie Brown Júnior?

O mais engraçado é a ingenuidade. Tinha uma música que tinha um trecho assim “mulherada muito louca com doce na boca”, e eu imaginava um monte de meninas chupando pirulito, mastigando chicletes e balas. Uma verdadeira orgia alimentar. Droga pra mim era coisa de filme, Cristiane F., Kids, e outros que eu assistia escondida dos meus pais. Conhecia no máximo algumas pessoas que fumavam maconha, mas eram super “maloqueiros”. Tinha outra assim: “se me apresenta essa mulher te dava até um doce”. Olha que legal, o cara arruma uma menina pro amigo e ganha sei lá, um Sonho de Valsa. Uma troca justa, não?

Com tanto doce fico me lembrando também de quando tinha uns cinco anos e gostava de contar a piada do danoninho. Eu tinha aprendido a piada em um programa do Chico Anísio e ela se tornou a minha piada favorita. “Sabe o que o passarinho falou pra passarinha? Quer danoninho?” Contava e ria, ria. Achava tão legal a idéia de dois passarinhos comendo danoninho.Onde já se viu? Passarinhos só comem alpiste, ora essa. O chato era que os adultos pareciam não achar graça, só me olhavam estranho, e eu ria sozinha, como agora, no meio das prateleiras das Lojas Americanas.

Sobre a tão falada Virada - Terça-feira, Abril 29, 2008




Eu não queria escrever sobre a Virada Cultural de São Paulo, mas todos os jornais, revistas e blogs amigos escreveram, então fiquei com inveja. Bom, a festa foi divertida, com muitos shows, amigos bacanas, centro da cidade cheio, prédios iluminados, pessoas felizes. Tudo muito bonito. Até as pessoas eram bonitas. Bonitas mesmo, de fazer a gente se sentir mais feio do que é. Onde essas pessoas se escondem o resto do ano? Em comerciais de tv? Se bem que os rapazes de camiseta com nome de banda e meninas com cabelo vermelho mal pintado da Praça da República não tinham nada de bonito. E daí a feiúra deles? E daí que um cabeludo filho da mãe vomitou na grama, onde as pessoas estavam descansando e eu deitei em cima. Ganhei o direito divino de odiá-los e falar mal. Mas tudo bem, porque eu levei uma muda de roupa. O difícil foi achar um lugar pra trocar, pois como você já deve ter lido por aí, os banheiros eram escassos. Em consequência, as ruas cheiravam urina, mas sei lá, isso dava até um ar nostálgico de carnaval, de Rio de Janeiro, como disse meu amigo Edu.
Falando em cabeludos, a Gal cortou o cabelo para a Virada. Deve ter perdido uns 3 kilos na poda. Talvez a Bethânia se anime a cortar o dela também. E não sei se foi uma síndrome de Sansão, mas a Gal me pareceu meio sem forças, ficou paradinha no palco. Eu devia ter seguido seu exemplo, mas não, fiquei sassaricando. Doze horas depois eu não agüentava mais nada, pois assim como a baiana, eu estou velha e gorda. Meus pés se revoltaram contra mim e juraram que se eu não fosse embora, eles jamais entrariam em contato com o solo novamente. Tive que ceder e acabei perdendo os shows que eu realmente queria ver.
Assisti ainda Mutantes, ou melhor, apenas ouvi, porque estava muito lotado, e o Zé Celso, a Dercy Gonçalvez masculina, mas esse bem de perto, da segunda fila. Os Mutantes erraram quase todas as letras de suas próprias músicas, mas o show tinha um clima gostoso. Quanto ao diretor de teatro, o jornal de hoje dizia “Zé Celso toca Noel Rosa na virada”. Esqueceram de colocar a palavra sofrível na frase, mas tudo bem, as pessoas só estavam lá por ele, ficariam igualmente felizes se ele só falasse palavrões e fosse embora. Achei babaca, mas é sempre tocante ver pessoas adultas emocionadas, mesmo que por um velhinho falando pau e cu.
Resumindo, os shows que eu assisti estavam mais para Virada Cultural do Retiro dos Artistas, mas foi muito bom ainda assim. Para o ano que vem eu prometo voltar a malhar para agüentar andar mais, levar um penico, e carregar meu dinheiro na meia, pois na hora de voltar pra Minas eu descobri que o banco bloqueou meu cartão e eu precisei pegar dinheiro com a mãe do meu amigo Kenan, caso contrário eu teria que virar pedinte de metrô ou apelar para aquele quadro do Gugu, o “De volta pra minha terra”.

"Eles já viveram tudo e sabem que a vida é bela" - Sábado, Abril 05, 2008


Um copo de plástico em cima da lixeira, bordas meladas de suco e metade cheia de água de chuva. A abelhas faziam a festa, girando pra lá e pra cá, tentando roubar um pouco de açúcar. Algumas mais gananciosas acabaram afogadas, enquanto as outras voavam com cuidado e tentavam se equilibrar nas beiradas. As sobreviventes não pareciam ligar para as amigas burras e eu fiquei refletindo sobre isso, perdida nos meus pensamentos, quando um casal de velhos se aproximou. Tinham manchas grandes no rosto, a pele era fina, ela andava curvada e ele de muletas. Chuto uns oitenta e poucos anos. E não, não tinham aparência bonitinha, que me despertasse compaixão. Era só um casal de velhos.
A velha chamou a atenção do velho para o copo cheio de abelhas. Aproximaram-se, tentaram entender porque elas estavam ali. Ele achou que elas foram beber água. Ela achou idiota e eu também. Nunca ouvi falar que insetos bebem água. Será? Fiquei me esforçando para pensar se bebiam ou não, revendo na mente minha apostilinha de biologia. Foi aí que a velha deu um peteleco em uma abelha, fazendo com que ela caísse no chão, desorientada.
Achei maldoso, mas ela não. Ela riu, riu deliciosamente, e para concluir a cena pisou na abelha, esfregando a pontinha do pé, como se quisesse garantir que ela não sobreviveria. Tornou a repetir a ação com mais três abelhas, e riu com o mesmo prazer, em todas às vezes. Sobraram umas quatro abelhas, talvez alheias a tudo que acontecia com suas companheiras, talvez felizes por escapar, mas o velho deu um peteleco ainda mais leve, fazendo com que elas caíssem, uma a uma, dentro do copo, somando ao número de afogadas.
Queria ver se ele também daria risada, mas o ônibus chegou e eles se apressaram para entrar na fila, passando na frente dos outros velhinhos e garantindo seus bancos reservados.

Tempo Tempo Tempo Tempo - Sábado, Fevereiro 23, 2008


Acordo e tudo mudou. Chiclete não é mais tão gostoso, trufa de brigadeiro é doce demais e o Fidel não está mais no poder. Estou envelhecendo.

Um jornal inteiro sobre o ex-presidente cubano. Meus netos nem saberão quem ele foi. Talvez decorem para a prova e esqueçam depois. Será que até lá o Che ainda vai ser estampa de camisetas? Isso me faz pensar na beleza do tempo, de como a vida é algo muito maior que política, pessoas e ideologias. Paro de achar tudo tão belo quando vejo, na área de publicidade, rostos aprovados no vestibular. Não conheço mais ninguém! Nem irmãos caçulas.

Antigamente eu conhecia todo mundo. Velha. Opa, finalmente reconheço um. É ele! Não acredito. O menino bonito. Mas no jornal de vestibulando? Deve ter o que? Dezoito anos? Talvez até dezessete. Oh, céus. Até uns anos atrás pessoas bem mais novas que eu eram crianças, não incomodavam. Agora eles são grandinhos, estão pelos bares, pelas ruas, confundidos e confundindo. Droga. Estou envelhecendo.

Resolvo tomar um sorvete. Parece que o sorveteiro está mal de saúde, é bom correr. Fico me sentindo a mais fria entre os mortais, pois só me preocupa a sobremesa e não o pobre, que passou por várias cirurgias no coração, mas estamos falando do sorvete de doce de leite, o melhor sorvete de todos os tempos, meu sorvete favorito desde criancinha. Tomo com o prazer e a dor de uma despedida. No fim concluo que nem estava tão bom assim. Achei aguado. Seria eu o problema? Eu que estou envelhecendo e ficando chata, ou ele que envelheceu e perdeu a mão? Tomo outro de ameixa ao rum. Muito bom. Vem na minha mente “agora ele pode morrer” e eu me recrimino em seguida.

Voltando para casa reparo que não tem mais o puteiro de sempre na minha rua. Como assim? Pra onde ele foi? Demoliram, meu Deus! Minha rua ficou sem graça agora. Poxa, quais outras ruas tinham o glamour de ter uma casa azul de janelas rosas, escrito Boite Cherry Marta na porta? Era uma ótima referência para os entregadores de pizza. Lembro do dia que conheci a proprietária. Fui ao supermercado comprar alguma coisa para minha mãe e ela estava lá, conversando animadamente com o caixa, com um saco de mangas que tinha apanhado no quintal. Entrei na conversa, que era sobre guaraná e tubaína. Na hora de ir embora ela me deu uma das mangas. Senhora simpática. Mais tarde me disseram o que ela era, e que eu não deveria conversar com gente assim, pois poderiam me confundir e outras bobagens. Acho que comecei a envelhecer ali.

Diálogo com Eduardo - Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

-Que link é esse?
- O blog do menino que estou conversando.
- Vou ver.
-Ah, tenho uma queda por homens que escrevem bem.
-Você gosta de homens inteligentes, então jamais se esqueça que homens inteligentes gostam de mulheres burras.

(E então Marcela pensa nesse momento: Doutor, uma lobotomia, por favor.)

27 de outubro de 2008

Second Life, por uma vida mais feliz - Sábado, Janeiro 26, 2008


Você deve ter ouvido falar, um tal de Second Life. Sabe? Não, não é reencarnação. É uma vida virtual, um misto de jogo e bate papo. Nem é algo do momento, mas eu sou lerda, estou falando sobre o assunto com uns dois anos de atraso. É que as tecnologias demoram para entrar na minha vida. Só ano passado entrei no mundo das fotos digitais, só esse ano comprei um tocador de músicas digitas, e só agora estou falando da vida digital.
Se eu baixo filmes pela internet? Sem chances. Vou à velha e boa locadora. Tem dias que alugo um vhs. É, ainda tenho um vídeo cassete, sabe como é, eu me apego as coisas, mas a última fita que aluguei estava toda embolorada, e eu pedi a Deus que abençoasse a alma daquele que inventou o dvd. Às vezes precisamos dar o braço a torcer. No Second Life não deve ter vhs, dizem que tudo é perfeito lá, não há espaço para bolor, cabeçotes e afins. Se bem que disseram que o U2 fez um show lá. Como? Não me pergunte, mas é uma prova que não é tudo tão perfeito assim.
Uma tal japonesa vendeu suas coisas na vida real e aplicou no jogo. No começo todos pensavam que ela estava louca, mas hoje ela está rica. No jogo. E existem empresas que compraram ilhas, e só quem tem dinheiro - o virtual, é claro - pode entrar. Uma espécie de Ilha de Caras do mundo moderno, mas sem os fotógrafos, o que convenhamos, perde 95% da graça para quem está lá. Que sentido tem ter dinheiro, se não podemos sair nas capas de revista segurando uma taça de vinho na banheira de hidromassagem?
Pra mim o mais interessante é que podemos inventar o nosso próprio eu, no caso os avatars. É o fim dos livros de auto-ajuda. Cansou da sua cara feia e amassada? Crie um avatar com os traços e algo mais de Angelina Jolie e faça sucesso entre os rapazes. Quer parecer forte e sarado? Que malhação que nada! Basta caprichar no seu avatar e ganhar todas as gatinhas de plantão. Cansou dessa vida de mulher em um mundo comandando pelos homens? Vire um deles, ora essa, e saia por aí, ou melhor, por lá, sem camisa e urinando nos postes. Ah, deve ser divertido, vai? Tudo bem, talvez só por um dois dias.
Pena que no mundo virtual eu não vou poder realizar meu sonho de virar um homem por um dia, comer todo mundo e não ligar pra ninguém no dia seguinte, afinal, não tem o comando sexo no Second Life, ou será que tem? Tem o botão voar, que eu sei, e se você analisar bem, pode ser bem mais interessante. Em suma, está bem mais fácil viver nos dias de hoje.

Conversa de Bar - Domingo, Janeiro 20, 2008


Mulher 01: - Não vejo mais tanta graça no sexo. Acho que as pessoas supervalorizam, não é tudo o que dizem.

Mulher 02: - Talvez você devesse experimentar com mulheres, inovar.

Mulher 03: - Sexo com mulher? Que clichê! Inovador é sexo com legumes. Cenouras, pepinos, abobrinha. ( Risadas seguidas de grande silêncio )

Mulher 01: - Milho deve ser interessante. Aqueles gominhos... ( Mais silêncio)

Sobre Caipirinhas e Patentes - Terça-feira, Janeiro 08, 2008

Fui a um festival de caipirinhas. As mais variadas frutas, mais de quarenta combinações, era o que dizia o cartaz, mas no cardápio só tinha dezoito. Pedi o cardápio com as outras 22. Acharam que era piada, mas eu falava sério. Entre as dezoito, três faziam parte do toptop, sendo uma delas a incrível caipirinha de Yakult. Isso mesmo, Yakult.
Fiquei pensando no slogan: Caipirinha de Yakult, você se diverte com os amigos e ainda regula sua flora intestinal. Há quem diga que a palavra intestinal espanta os consumidores, mesmo depois de uma outra bonita como flora, mas eu penso em roubar a receita e patentear. Vai ser uma febre entre as banhistas de Angra. Uma dose e seu biquíni cai super bem. Já experimentou? A Bibi que me recomendou. Experimenta, menina. É geladinha, uma delícia.
Vai vender na Fashion Week, no sambódromo, em todo lugar. Serei rica. Rica! E eu pedi saquê com manga, mas não tinha manga, nem saquê.

- Jura que essa porra é melhor que lacto purga?
- Humrum.
- Me dá logo um gole dessa merda.


" Depois que eu comecei a tomar capirinha de Yakult, eu consigo até...vocês sabem. Hehe."




- Amor, tomei caipirinha de yakult pela manhã e já fiz cocô.
- Que lindo, amor! Posso ver?




Sonhos de Natal - Domingo, Dezembro 30, 2007


O que falta na minha família é um alcoólatra. Chega desse bom mocismo. Natal com conversas em tom amigável, comida gostosa, presentes e cada um pra sua casa. Precisamos de alguém para rolar na mesa, derrubar o peru, fazer a criança chorar. Talvez um alcoólatra com uma esposa dramática, que grite, o pegue pelos cabelos e o arraste até a saída, sob o olhar assustado dos demais. Todos se perguntariam como ela agüenta, e as crianças, pobrezinhas? Teríamos assunto para o resto da noite e para o almoço do dia 25.
Não, sem esse papo que não sei como é triste essa doença. Realmente não sei, mas sei como são chatas as festas com pessoas sóbrias e não as desejo a ninguém. Algumas boas doses a mais são indispensáveis e meu parente alcoólatra saberia dessa lição como ninguém.
E as piadas? Seriam tão melhores. Imagine só, no lugar de piadas com preconceitos disfarçados, teríamos piadas explicitamente incorretas, com os nomes certos dos sexos no lugar dos tananãs e na frente das crianças. Sem essa de passar o dedo pela pele, fale preto, fale criolo. Fale de uma vez que você odeia pobre, odeia viado. Meu parente alcoólatra falaria, assumiria tudo de pobre que há dentro dele com a desculpa da bebida, e todos fingiriam espanto.
Talvez ele nadasse pelado. Talvez gritasse que a casa é dele, e ele faz o que quiser. As mães tapariam os olhos das filhas. Os adolescentes dariam risada e se perguntariam qual mais ele aprontaria. Joga a tia na piscina! Eu estaria no coro. Vai desfazer a chapinha! Pessoas ceiando molhadas e de cabelo bagunçado.
E você? E você que é um vagabundo? E você que deu o golpe do baú? E você que teve um caso com a secretária? Chifruda! Sovina! Você roubou o próprio pai! Sim, ofensas no lugar de doenças alheias. Terminaríamos a noite brigados para fazer as pazes no dia seguinte, ou talvez no reveillon. Não, só no próximo natal. Ou nunca mais! Mentira. Todos se perdoariam, foi a bebida, foi o parente alcoólatra, mas ele não tem culpa, é uma doença, pobrezinho.