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10 de novembro de 2008

Sobre carências


Agora eu tenho um amigo mudo. Ele me liga de um número inibido e não fala nada. Eu deixo o telefone ligado, e ele fica lá, ouvindo, ouvindo, volto depois de meia hora e ele ainda está lá, tadinho. Carente o menino. Ou a menina.
Hoje meu telefone tocou e logo vi que não era da minha agenda. É o Mudinho, pensei, mas eu atendi e falaram comigo.

-Alô. Quem ta falando?
-Marcela.
-Oi, Marcela. Aqui é o Eduardo. Você deixou seu telefone agora na internet?

 Corri na mente todos os Eduardos que eu conhecia, e nenhum tinha aquela voz.

- Acho que deve ser um engano.
- Mas você não estava na internet agora?
-Não.( Milagrosamente eu não estava mesmo)
-Onde você está? Em Varginha?
-Não, em Poços de Caldas.
-Ah, ok. Foi um engano então, desculpe.

 Enquanto eu falava com o tal Eduardo a minha chamada em espera tocou. Atendi, era uma ligação a cobrar. Desliguei. Chamou de novo. Resolvi atender.

- Oi, você deixou seu telefone na internet. Desculpe ligar a cobrar, mas eu estava viajando, e...
- Eu não deixei meu telefone na internet.
-Ah, desculpe então.

Fiquei com a pulga atrás da orelha. Por que dois homens ligariam assim, ao mesmo tempo? Resolvi retornar para o tal Eduardo para tirar satisfação e a história vocês já devem imaginar. Alguém entrou em um bate-papo e escreveu  “Quero sexo. Me liga agora, número tal”. Legal, né?
Conclusões dessa história bizarra:

 1º - Alguém me odeia. E esse alguém tem meu celular. Talvez seja o meu amigo Mudinho. Ou melhor, meu inimigo Mudinho.

2º- Tem gente carente e desesperada no mundo. Mais do que eu, mais do que você, mais do que o Mudo. Basta uma promessinha de prazer e pronto. Não é a toa que perdem rins por aí.

 

4 de novembro de 2008

A Sete Chaves




Lembra quando você era criança e sempre surgia o assunto “quem você gosta”? Ele tinha mais ou menos a mesma importância do assunto “quem é seu melhor amigo”.
Todo mundo gostava de alguém, o colega de sala ou o menino da rua, e assim, sem entender nada sobre amor e sobre relacionamento íamos seguindo.
Era um segredo guardado a sete chaves. Contávamos no máximo para nossa melhor amiga e, ainda assim, após juras que envolviam nomes divinos e nossas mães mortas atrás da porta.
Depois de alguns anos chegou a brincadeira do beijo e começamos a colocar nosso afeto em prática, mas não, não era o fim dos segredinhos. As brincadeiras de pêra-uva-maça-salada-mista geralmente aconteciam nos fim das festas ou garagens dos prédios, com poucos participantes, ou melhor, poucas testemunhas. No outro dia rolava a fofoca de quem beijou quem, se foi de língua ou não e quantos minutos durou.
Com a bagagem de algumas saladas mistas, o beijo começou a não ser mais motivo de fofoca, agora todo mundo “ficava” e era na frente de todo mundo mesmo, nos shows, nas festas, na porta da escola. Mais tarde alguns ficantes começaram a namorar. Pronto, começou o boato que aqueles dois haviam feito sexo. Sério? A Ana não é mais virgem? Não sei, ninguém sabe. Mas imagina se os pais descobrem? E os pais descobriam, alias, todo mundo descobria, afinal estava todo mundo transando.
Com namoros somados, e algumas (loucas) até casamentos, conversamos sobre sexo como quem fala do preço da laranja. Falamos livremente sobre a primeira vez, posição favorita, número de parceiros, sobre a freqüência (ou a falta dela), o que leva nos leva a acreditar que não temos mais o que esconder, mas quem disse?
Basta perguntar sobre gostamos para surgir uma máquina do tempo que nos leva diretamente para primeira série, porque sim, apesar de ficar com aquele, ou ter feito sexo com aquele outro, acontece de gostar de um terceiro e não gostamos de sair por aí assumindo esses sentimentos. E não, não há caipirinha de kiwi que nos leve a dizer se já esquecemos, se amamos ou não, ou o que escrevemos naquele e-mail, não sem antes jurar pela mãe morta atrás da porta.
p.s: não mais, não mais...

27 de outubro de 2008

Por que te amava tanto? - Terça-feira, Dezembro 19, 2006

Recebi um texto hoje que adorei e resolvi publicar aqui. Pena ter brigado( pra variar) com o autor 1 minuto depois. É, ex-amor. Não tem mais jeito mesmo, mas foi linda a nossa história.

Por que te amava tanto?

Porque ficavamos muitos finais de semana trancados no quarto e nos bastavam apenas nós dois. Porque você acordava sorrindo e adorava as torradas que eu preparava.
Porque você chegava do trabalho e me acordava com beijos e paciência.
Porque você, às vezes, acordava e logo me abraçava. Porque você não ligava que eu fizesse ou não a barba todo dia.
Porque você era ciumenta, como eu.
Porque você dava chilique quando eu dizia que uma mulher era bonita ou sensual.
Porque brigava se eu olhasse para outra menina.
Porque sempre me esperava no aeroporto com uma carinha de felicidade.
Porque quando vinha comportava-se como uma meninha, encantada por estar aqui.
Porque você andava léguas para encontrar bolinho de bacalhau para mim.
Porque almoçava junto comigo num boteco qualquer da Paulista com a alegria de quem estivesse no Fazano.
Porque queria viver comigo, apesar de sua família.
Porque você um dia desejou ter filhos comigo.
Porque você fazia tudo que pudesse me agradar, mesmo que fosse algo de que não gostasse muito.
Porque você vigiava para que eu não esquecesse meus óculos.
Porque me ligava de madrugada, às vezes chorosa.
Porque se escondia no armário para me ligar.
Porque era tão parecida comigo em certas coisas e tão diferente em outras.
Porque deixava de brincar com sua gata, só pra não me deixar só.
Porque você suportava que eu corrigisse o seu inglês e sua gramática sem ficar ofendida.
Porque você era boa naquilo que fazia e sabia disto, sem achar que isso te levaria ao céu ou te livraria do inferno.
Porque você tinha tantos talentos e era tão humilde com relação a eles que eu só fui descobrir depois de mais de 2 anos juntos.
Porque podiamos falar de mitologia, filosofia, cinema, música, viagens, história ou apenas fofocar sobre astros de TV. P
orque você era quase sempre bem-humorada, gentil, educada e fofa.
Porque você tinha a boca mais delícia e macia e lindinha do mundo, mesmo quando dormia com ela aberta e roncava.
Porque você não era feminista nunca.
Porque às vezes eu era um grosso, e mesmo assim você nunca ficava horrorizada comigo.
Porque às vezes você me tratava como se eu fosse seu melhor amigo, sem nunca deixar de ser mulher.
Porque você nunca deixou de me achar gostoso , estivesse eu de cabelos aparados ou crescidos.
Porque você gostava quando eu ria pois achava que eu tinha um sorrisão aberto.
Porque você me achava inteligente mas não se sentia ameaçada de forma nenhuma.
Porque você sempre queria ouvir minha opinião.
Porque você deixava que eu decidisse se você iria comprar esta ou aquela coisa.
Porque até hoje ainda gostamos mais de conversar um com o outro mais do que com qualquer outra pessoa.
Porque nossas brigas eram de ciumes e de curta duração.
Porque quando eu olhava pra você consiguia ver a criança que você foi e a velha que iria se tornar, e amava as duas também.
Porque você tem olhos negros, lindos, e olhar tão doce.
Porque nunca ganhei na Mega Sena pois, provavelmente, a sorte tem que ser distribuída com alguma justiça entre as pessoas e eu já ganhei na loteria 1 vez. Faz tempo. Pra ser mais exato faz 6 anos.

A arte (ou a burrice) de não dizer o que sente - Sexta-feira, Setembro 29, 2006




Você: - Você vai, né?
Ele: - Não sei ainda, por quê?
Você diz: - Porque se você não for não tenho como voltar.
Quando você queria dizer: - Porque se você não for não tem a menor graça.


Ele: -Você vai?
Você: -Vou, não vou fazer nada mesmo.
Quando queria dizer: - Claro, eu nunca perderia uma chance de ficar perto de você.

Ele: - Como foi?
Você: - Legal.
Quando queria dizer: - Chato. Fiquei pensando o tempo todo em você e em como seria mais legal se você estivesse lá também.

Você: - Você tava sumido.
Quando queria dizer: - Estava morrendo de saudades!
Você: - Alô, e blá blá blá. Quando só queria ouvir um pouco aquela voz.

23 de outubro de 2008

Domingo, Dezembro 05, 2004




O que é mais auto-destrutivo?


A- Comer risoles e tomar coca-cola no café da manhã

B-Se apaixonar por um gay


Um post apaixonad0 - Sábado, Junho 12, 2004



Eu já contei que existe um alguém que eu amo? Já contei que o amei desde o primeiro momento? Que nada mais foi igual desde então? Que os meus sonhos começaram a ter sempre o mesmo tema?
Já contei que as pessoas percebem o que eu sinto quando toco no nome dele? Que eu estremeço só de ouvir a sua voz? Que eu sei de cor onde fica cada pinta, cada pelo?
Já contei que esse amor me perturba, me tira a razão? Que eu fui capaz das maiores insanidades para estar perto dele?Que a vida insiste em nos separar? Que tudo isso faz do dia dos namorados uma data triste, faz a dor mais aguda e a ausência mais angustiante?

O amor está no ar - Segunda-feira, Junho 07, 2004

Essa semana, como todos já sabem, é a semana oficial do massacre emocional, época onde os publicitários malvados se juntam com lojas de celular, roupas, perfumes e outros presentes para acabar de vez com o já tão fragilizado coração de quem sofreu uma desilusão passada e ainda luta para supera-la. Em outras palavras: o dia dos namorados é daqui alguns dias.
Já adianto que não vou perder meu tempo falando que é só mais uma data comercial e que eu não estou nem ai pra isso.
Vim ate aqui só para dizer que, pelo motivo acima, talvez eu suma por algum período de tempo, ou quem sabe para sempre.
Se vou sair para procurar um namorado?Não, não da mais tempo. Vou é me afundar no garrafão de vinho que guardei em casa para esse dia tão especial.
Só falta decidir qual vai ser a trilha sonora, andei pensando nas musicas de Baden Powell, mas meus amigos me convenceram que Adriana Calconhotto no ultimo volume é mais eficaz.

A musica escolhida foi essa:
"Eu perco o chão, eu não acho as palavras.
Eu ando tão triste, eu ando pela sala
Eu perco a hora, eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco as chaves de casa, eu perco o freio
Estou em milhares, eu estou ao meio
Onde sera, que voce esta agora?"