23 de outubro de 2008

Quando eu era criança queria... - Quarta-feira, Setembro 29, 2004

ter oito filhos
tomar o café da manhã da Xuxa
ter um walkmachine
que os cachorros vivessem tanto como os elefantes

De todas essas opções a ultima vontade é a única que permanece. Como seria bom se eles vivessem o bastante para acompanhar toda a nossa vida, e que assim não houvessem despedidas. Meu cachorro ainda estaria aqui, eu não me sentiria culpada por não tê-lo ajudado quando ele precisou, eu ainda teria tempo de deixar que ele passeasse o quanto quisesse, por todos os jardins, sentindo todos os cheiros.Ele ainda poderia colocar o focinho para fora do vidro do carro, como se estivesse recebendo o mundo todo na cara. Eu faria sua vontade e permitiria que ele observasse mais o que tinha além do muro, do jeito que sua natureza curiosa pedia, que corresse atrás dos seus passarinhos, mas não, as coisas não são assim e isso tem me feito muito infeliz nos últimos dias.
Foi por isso também que eu não postei na última semana, por estar triste e por ter medo de ouvir alguém falando que eu devia lembrar de quem não tem casa pra morar ao invés de me preocupar com um cachorro. Eu me preocupo com as pessoas, com as crianças e coisa e tal, mas por que isso tem que fazer com que eu seja indiferente a um ser que me acompanhou durante 12 anos? Sinceramente não consigo, não quero e nunca vou entender pessoas assim.



1, 2, feijão com arroz - Quarta-feira, Setembro 15, 2004


Acho divertidíssimo não saber o que vou estar fazendo daqui um ano. Até Junho, se tudo der certo, ou seja, se nenhuma turbina de avião cair na minha cabeça durante a noite, eu vou estar estudando. Mas e depois? Não faço a mínima idéia! Vai a acabar a faculdade, não sei se vou estar trabalhando, não sei se continuarei morando aqui, não sei de nada. Não é ótimo? São tantas opções, tantos caminhos.
Pensando nisso eu me lembro de quando eu precisava escolher que curso queria fazer. Medicina? É, pediatria, cuidar de crianças, legal, mas pensando bem tem que estudar muito, talvez anos de cursinho. Não, não. Veterinária? É isso, bichos é o que há. Mas nossa, todos os bichos? Cavalos, bois? Não posso me limitar aos cachorros e aos gatos? Então nada feito. Psicologia? Não, vou acabar em um R.H de uma empresa de cosméticos. Estáticas? Pode ser, e...o que? Não, para tudo. Estatística?
Pois é, meus caros. Eu já pensei em fazer estatística. Li naqueles manuais de profissões e achei interessante. Da pra acreditar? Logo eu que sempre fiquei de recuperação, que até hoje não entendi logaritmos, que tremo na hora de fazer uma divisão de decimais. Minha cabeça é tão voltada para humanas que os números pra mim não são só números, eles tem caráter, tem uma historia de vida. Não entendeu? É mais ou menos assim:

N° 1- Bonzinho, irmão caçula. As vezes pentelho, mas perdoável.
Nº 2- A irmãzinha, legal também. Se da bem com o irmão 4.
Nº 3- Menina rebelde, acha que ninguém gosta dela, mas a 6 e até a 9 gostam.
N° 4- Super prestativo, sempre ajuda a mãe 8.
Nº 5- Chatíssimo, sempre irritando os outros, atrapalhando.
Nº 6- Ela é mãe, né? Barrigudinha e tudo mais. Ama a 3 e a 2, sofre por ter que dividi-las com outras mães.
N°7- Um cara estranho, que sempre quer ficar sozinho.
Nº 8- Mãe também, mas não sofre tanto como a 6, mais madura, sabe? Seu único defeito é mimar demais o 4.Ah, não podemos deixar de citar a forma, igual a de Vênus.
Nº9- Abominável. Interesseira. O pior dos números. Para entender isso é preciso saber que todo unitário quer ser dezena, é a ambição de todos. O cinco quer sempre ser 15, o 4 quer ser 14 e por ai vai, é instintivo, esta na psique numeral. Então eles pedem, ingenuamente, a ajuda da nove, daí ela que é uma sacana sempre passa perna e rouba um ponto, logo o 6 que queria ser 16 acaba virando 15, o 8 vira 17, e por ai vai.

Alguém aqui também pensa assim? Os números são mais que meras representações para você? Caso sim, se manifeste, pois meus amigos disseram que isso não é normal e eu quero provar que é sim.

Ele está no meio de nós! - Quarta-feira, Setembro 01, 2004

Se alguém me perguntar se eu tenho alguma crença religiosa eu fico em duvida. Digo que não, e quero acreditar que não, que é tudo uma besteira, mas às vezes me vejo presa na educação que recebi. Nego acreditar em paraíso, ou o contrario dele, mas morro de medo de purgatório. Toda vez que faço algo que acho errado me imagino na frente de um grande portão de ferro, tentando entrar para o céu, e um anjo olhando a minha ficha, vendo o que eu fiz e o que eu não fiz.

-Não, não, não. Está aqui, você quebrou o vaso e culpou seu irmão. Desce!

Na catequese, que eu tinha que ir todo o sábado, eu aprendi também que Cristo pode vir na forma de um mendigo, por exemplo, para testar a minha bondade. Como onde eu moro sempre tem alguém pedindo algo, eu me sinto testada o tempo inteiro. Toda hora estou dando um troquinho para quem pede e me sinto super culpada quando não dou.
Esses dias eu tava voltando do supermercado, cheia de sacolas na mão, quando começou a chover. Estava tentando ir mais rápido para me molhar menos quando ouvi alguém me chamando. Era uma mulher com um guarda-chuva. Céus, quanta bondade, ela vai me oferecer carona até em casa, que bom. Ta vendo só? Ainda dizem que os paulistas não estão nem ai pro próximo, pura implicância.
Cheguei mais perto e adivinha? Ela me pediu um trocado para pegar o ônibus. Não acreditei, eu ali, ensopada, cheia de sacola, e ela, toda sequinha, ainda tem a cara de pau de me fazer parar e me pedir dinheiro. Eu quis esganá-la, arrancar o guarda-chuva e dar na sua cabeça, dar uma sacolada na cara, tudo, mas só consegui responder um sem-graça ¿sinto muito, agora não tenho¿, e pensar: porque diabos eu não nasci numa família de ateus?

Morram de Inveja - Segunda-feira, Junho 28, 2004

Durante o fim de semana inteiro ouvi o barulho de fogos de artifício. Seria um jogo do Corinthians? Um jogo do São Caetano?Seria um comício? Seriam as festas juninas?
Não achando resposta decidi que os fogos eram pra mim, eles sabiam da minha vida e estavam festejando também, compartilhando a minha felicidade, comemorando.Quanta alegria!
Sim, sim, meus caros. Eu estou saindo de férias. Chega de trabalhos, chega de macarrão com salsicha, chega de roupa mal passada, chega de colchão ruim, eu estou indo pra casa.
Só não digo chega de blog também, como das outras vezes, por que minha filosofia agora é nerd que é nerd posta até em cyber café.


Metamorfose Ambulante - Sexta-feira, Junho 18, 2004



Quem disse que não podemos mudar de idéia? É claro que podemos, eu posso, você pode, ainda mais na minha idade, idade onde as pessoas estão cheias de duvidas, estão inseguras, conhecem tão pouco da vida.
Você já foi totalmente contra algo e depois foi a favor? Pois isso aconteceu comigo de ontem pra hoje, acordei diferente, acordei outra.
O que? Não, eu ainda odeio a Sandy. A mudança foi com a minha opinião sobre cirurgias plásticas. Se antes eu achava um absurdo, hoje eu penso na hipótese.
É serio, meninas. Eu sei que eu sempre falei que peitos de silicone parecem bexigas, que lipospiração é horrível, que aquele cano de sucção parece o que a minha mãe usa para temperar o peru de natal, que eu prefiro a honestidade das rugas aos grotescos rostos sem expressão, mas eu mudei. Eu entrei pro time, eu quero me retalhar.
Cansei da minha cara, sabe? Cansei de ouvir pelo menos uma vez por dia alguém perguntando se estou brava, ou contando que me achou super seria quando me conheceu. Cansei de explicar que a minha é fechada assim mesmo, que herdei do meu pai, que isso não tem a ver com o meu humor. Cansei, cansei de verdade. Não quero mais me explicar e também não quero mais ser confundida com um carrasco. Quero mudar, quero estampar um sorriso enorme no rosto. Quero que olhem pro meu rosto e digam: -Nossa, como ela é feliz. Ou, ela é feliz de doer. Assim eu não preciso ficar dando explicações e todo mundo vai me achar super legal, logo no primeiro contato. Talvez eu ate me saia melhor em dinâmicas de grupo.
-Sim, sim. É possível. Tem algum rosto que você quer usar como referencia? Xuxa? Vera Fisher? Julia Roberts? São sorrisos bonitos.
-Não, não doutor. Eu quero algo com mais impacto, mais direto, algo assim como o Coringa do Batman. Pode ser?


Um post apaixonad0 - Sábado, Junho 12, 2004



Eu já contei que existe um alguém que eu amo? Já contei que o amei desde o primeiro momento? Que nada mais foi igual desde então? Que os meus sonhos começaram a ter sempre o mesmo tema?
Já contei que as pessoas percebem o que eu sinto quando toco no nome dele? Que eu estremeço só de ouvir a sua voz? Que eu sei de cor onde fica cada pinta, cada pelo?
Já contei que esse amor me perturba, me tira a razão? Que eu fui capaz das maiores insanidades para estar perto dele?Que a vida insiste em nos separar? Que tudo isso faz do dia dos namorados uma data triste, faz a dor mais aguda e a ausência mais angustiante?

O amor está no ar - Segunda-feira, Junho 07, 2004

Essa semana, como todos já sabem, é a semana oficial do massacre emocional, época onde os publicitários malvados se juntam com lojas de celular, roupas, perfumes e outros presentes para acabar de vez com o já tão fragilizado coração de quem sofreu uma desilusão passada e ainda luta para supera-la. Em outras palavras: o dia dos namorados é daqui alguns dias.
Já adianto que não vou perder meu tempo falando que é só mais uma data comercial e que eu não estou nem ai pra isso.
Vim ate aqui só para dizer que, pelo motivo acima, talvez eu suma por algum período de tempo, ou quem sabe para sempre.
Se vou sair para procurar um namorado?Não, não da mais tempo. Vou é me afundar no garrafão de vinho que guardei em casa para esse dia tão especial.
Só falta decidir qual vai ser a trilha sonora, andei pensando nas musicas de Baden Powell, mas meus amigos me convenceram que Adriana Calconhotto no ultimo volume é mais eficaz.

A musica escolhida foi essa:
"Eu perco o chão, eu não acho as palavras.
Eu ando tão triste, eu ando pela sala
Eu perco a hora, eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco as chaves de casa, eu perco o freio
Estou em milhares, eu estou ao meio
Onde sera, que voce esta agora?"


Só na cafeína - Terça-feira, Julho 20, 2004


Eu costumava brincar que existem três tipos de pessoas que não são dignas de amizades: as que não bebem, as que não assistem novelas e as que não jogam buraco. Tem coisa mais chata do que ir em uma festa ou a um bar com alguém que não bebe? Tem coisa mais chata que chegar eufórica para contar que leu na banca de revistas que o Paco vai beijar a Preta e a pessoa perguntar quem é Paco? Tem coisa mais chata do que passar um dia de chuva junto com uma pessoa que não sabe jogar buraco?
Sim, tem. Ir na padaria ou servir lanche da tarde para uma pessoa que não bebe café, e eu não bebia café.
Varias vezes eu era convidada para tomar café da tarde de alguém e chegando lá só tinha café mesmo, nem um suquinho nem nada, só a pessoa com aquela cara de sem graça, desculpe, eu não sabia. Fora a inveja que eu sentia das pessoas que sabiam beber café, faziam aquela cara de prazer, eu ficava morrendo de vontade mas quando provava achava horrível, venenoso, não conseguia entender como alguém podia achar aquilo bom.
Depois de anos de não ao café e de ser muitas vezes excluída pelos que gostavam de bebe-lo, eu decidi mudar esse quadro, defini que nessas ferias eu tinha que aprender a beber. A primeira vez foi tão ruim como as anteriores, aquele gosto forte, aquela cor duvidosa, pensei ate em desistir, mas segui em frente. No segundo dia já achei gostosinho, e no terceiro até já senti vontade e comecei a espalhar feliz da vida para todo mundo que agora eu sou uma pessoa que bebe café.
O engraçado é que embora eu sentisse vontade aquilo ainda não estava incorporado a minha rotina, fui em uma padaria tomar lanche e pedi um suco de laranja. Ve se pode? Esqueci. Fiquei triste comigo. Será que eu nunca me tornaria uma bebedora de verdade? No outro dia já fui pensando no caminho, para chegar lá e pedir café. Chegando lá, café na cabeça, surge outro problema. Não conheço o linguajar ¿cafeines¿. Como se pede um café? Eu só estava bebendo em casa, não sabia como se fazia por ai. Um cafezinho? Um café? Uma xícara de café, com açúcar e chantilly? Fiquei com medo de que todo mundo percebesse que eu era nova nesse meio, medo de passar vergonha. Vi um cara pedindo apenas por café mesmo, sendo servido no copo com o potinho de açucar do lado, resolvi imitar e falei exatamente o que ele falou, um café por favor. Café servido, e agora? Qual a quantidade de açúcar necessária? Acabou ficando ruim, mas tudo bem, eu chego lá.

Distraída, eu? - Segunda-feira, Julho 05, 2004


Semana passada fui até o centro da minha cidade resolver problemas relacionados a minha carteira de motorista. Peguei uma carona com meu pai e fui em direção ao lugar planejado. No caminho muitas vitrines, bancas de revista, e puf, esqueci o que estava fazendo ali, qual era o meu destino. Fiquei parada um tempo para lembrar, me perguntei varias vezes para onde estava indo e por fim lembrei.
Tudo certo, tudo bem, isso se episódios como esses não fossem cada dia mais freqüentes na minha vida. Não conseguir prestar atenção nas aulas, esquecer o porque daquele calculo no meio de do problema de matemática, distrair com os passarinhos e coisas assim sempre fizeram parte da minha vida, mas de um tempo para cá minhas distrações ficaram perigosas, ando até pensando em contratar alguém para seguir meus passos.
O metro virou algo arriscado pra mim, estou vendo a hora que vou sair lá na Barra Funda, sem saber onde estou, pra onde estou indo. Esses dias mesmo eu estava na casa da minha professora no Paraíso e queria pegar o metro até o Santa Cruz e lá pegar o ônibus para casa. Não é que fui parar quase lá no Trianon? Perdi um tempão com isso, mas sabe o que acontece? Eu me distraio olhando aqueles seres estranhos que só existem no metro e quando vejo entrei no metro errado, esqueci de saltar na estação certa, saltei na estação errada, coisas assim.
Uma outra vez eu fui fazer um trabalho e na volta peguei o metro lá na estação Anhangabaú , andei , andei e quando olhei, surpresa, eu estava exatamente na estação que eu tinha embarcado. Pensei um tempo e deduzi que eu só podia ter ido até a ultima estação e voltado. No outro dia, na faculdade, contei para a historia para o pessoal que tinha feito o trabalho comigo no dia anterior.
- Mas como? Tem um negocio de corrente elétrica quando chega na ultima estação. Até tem um aviso, você não ouviu?
- Não.
- Mas você não viu que todo mundo saiu do vagão?
- Ué, não percebi não.
- Você podia ter morrido! Alias, era pra você ter morrido.
- Nossa, será que eu morri e não sei? Bom, isso explicaria muitas coisas.

Eles insistiram que não tinha como eu ir até a ultima estação e voltar, mas se isso não aconteceu eu não faço a mínima idéia do que aconteceu.

Fim de semana - Terça-feira, Agosto 24, 2004


Sábado: Canjiquinha
Bolo de cenoura
Sorvete
Tutu de feijão

Domingo: Feijoada
Bolo de aniversario

Segunda: Feijoda( esquentada)
Sorvete
Pipoca

Terça: - Ai Dr, não sei por que estou engordando. Acho que são os hormônios.

Que venha setembro - Terça-feira, Agosto 17, 2004


Vocês já ouviram falar em inferno astral? Não? Pois então vou dar uma rápida explicação. O Inferno Astral acontece durante o mês que antecede o seu aniversario e é um período de zica total, onde tudo que pode dar de errado na sua vida dará. Meu aniversario é dia 28 desse mês, ou seja, murphy já dominou por vinte dias e ainda dominará por mais oito.
Besteira? Antes fosse. Para dar uma idéia vou citar os meus últimos acontecimentos: Voltei das minhas férias e a luz tava cortada, era domingo, a Eletropaulo não atende nesse dia, tive que esperar ate o outro dia no escuro, sem poder tomar banho, sem tv, sem som e todas essas coisas que só funcionam com eletricidade.
Primeiro dia da aula de cinema: a mocinha esquece de me avisar que mudou o local do curso, vou pro lugar errado e amarguei horas no frio ate descobrir para onde ir. Nos outros dias foi normal, até que ontem eu peguei o ônibus errado, fui parar no fim do mundo e andei por horas, por que meu dinheiro estava contando e não dava para pagar um ônibus a mais.
Domingo fui ao show do Los Hermanos com a Luciana e com o Kenan, bebemos um pouco, o que em outra época seria normal, mas nesse dia eu fiquei com um soluço que não me deixava cantar e levei um tombo patético na frente de todo mundo. Um pouco antes disso, eu estava tomando banho pra ir pra lá, e quando já tava cheia de sabão a resistência do chuveiro queimou. Tirei a espuma com água fria e decidi acabar o banho com água esquentada no fogão e baldinho. Já tentaram lavar o cabelo com baldinho? Pois é, não dá. Voltei a água fria e agora estou gripadissima, com febre e tudo mais.
As meninas que moram comigo estão revoltadas, dizem que o inferno astral é meu, que não é justo que elas também paguem pato tomando banho frio. Mas fazer o que? Deve ser contagioso, sei lá. Portanto um conselho para vocês, que poderia até ser chamado de uma questão de segurança publica: mantenham distancia, pelo menos até o dia 28.

É da idade - Terça-feira, Agosto 10, 2004


Gente, eu to em crise. Minha mãe me acha uma exagerada, diz que nem sabe como vai ser quando eu fizer 50, mas a verdade é que tem sido muito difícil pra mim. Esse mês faço 22 anos, não sou mais uma adolescente, tenho assumir uma postura adulta, mas não sinto a menor vontade de fazer isso. Queria poder continuar a tomar decisões irresponsáveis, viver de mesada, acordar tarde e não lavar nem um copo, sabe?
O problema é que quando estamos assim, em crise, fazemos coisas que os outros não entendem, como aquela dona de casa que se separa e começa a querer usar mini-saia, ou como aquele homem velho que canta todas as meninas da praça para ainda se sentir viril. Eu estou assim, tanto que uns dias para trás eu tava pensando que nunca tinha usado piercing (pelo menos por mais de três dias) e nada é mais adolescente que colocar um, então resolvi por. Surgiram vários questionamentos - mas e o emprego, mas agora, pra que isso - mas mesmo assim eu resolvi ir adiante, pois imagina o meu filho, daqui uns 15 anos, me perguntando como era usar piercing, assim como eu pergunto para minha mãe como era usar calça boca-de-sino e passar o cabelo a ferro. O que eu vou responder? Que não usei? Que coisa chata, eu odiaria a minha mãe se ela não tivesse usado boca-de-sino, e essa calça ta para a geração dela como o piercing ta para a minha. Outra coisa: melhor querer por um piercing agora, do que aos 80, como a Hebe.

-Mas e ai? Acabou a crise?
-Ah, não. Mas de qualquer forma foi engraçado ver minha avó perguntando: mas marcela, você precisava colocar esse espeto na cara?

Novas ideias, velhos conceitos - Terça-feira, Agosto 03, 2004


Talvez eu tenha sido injusta no ultimo post, minha vida não está tão sem graça assim. Eu entrei pra escola livre de cinema, tem duas integrantes novas na minha republica, vou começar meu trabalho de conclusão de curso, ando pensando em me mudar para toscana, entre outras coisas, mas naquele dia o meu lado depressivo falou mais alto.
Pensei em falar sobre essas novidades nesse post, mas dessa vez outro lado resolveu se manifestar, o meu lado nerd, impossibilitando que eu fale sobre assuntos que não estejam ligados a ele.Hoje especificamente ele ordena que eu fale sobre o Yakut, digo, Orkut, então vamos lá.
Tava todo mundo falando sobre esse tal de Orkut e eu não fazia a mínima idéia do que era. Pesquisando descobri que precisava ser convidada para entrar. Amarguei dias de angustia, esperando que alguém se lembrasse de mim e me chamasse. Como isso não aconteceu apelei e exigi que meu amigo Davi me convidasse, caso contrario eu o deletaria do icq. O Fabiano também ficou com dó e me chamou nesse mesmo dia.
Saciei minha curiosidade inicial, mas depois disso varias outras surgiram. Para que finalidade a gente coloca os amigos naquela lista? Gostei de entrar para as comunidades, brigar com uma menina pelos craps, mas cadastrar as pessoas e ficar olhando para as fotos não faz muito sentindo. Se pelo menos tivesse como comunicar com elas instantaneamente, mas nem isso. O maximo que se pode fazer é escrever um testemunho, mandar um e-mail, e coisa e tal.
Outra duvida que eu tinha era a respeito daqueles símbolos( coração, bloco de gelo e carinha) que aparecem nas paginas das pessoas. Soube esses dias - antes nunca soubesse - que as pessoas dão aquilo caso você seja legal, sexy, e outra coisa que eu não lembro. Ao contrario de um amigo, que passou a assinar os e-mails como Felipe Sexy desde que entrou no orkut, eu não ganhei nenhum desses símbolos, o que me faz pensar que o orkut só reafirmou o que eu já sabia: i´m a loser.

Quem eu gostaria de ser - Segunda-feira, Maio 31, 2004


Hoje vou fazer um pequeno plágio do Mais Tudo Bem, onde o Pedro publicou os textos Pessoas que eu gostaria de ser se um dia crescesse.
Também quero dizer que eu gostaria de ser, é uma coisa recente, que eu decidi esses dias quando estava assistindo um programa de televisão, onde ela estava cantando.Foi assim, como um estalo: eu queria ser a Ivete Sangalo.
Não que eu compre os cds dela ou coisa do tipo, mas ela tem coisas que realmente me deixariam feliz se fosse eu em seu lugar. Essas coisas são: Ela sabe cantar, ela é rica, é animada, tem senso de humor e é bonita. Todas essas razões seriam mais que suficiente, mas ainda tem a maior de todas, ela é casada com o Davi Moraes, o homem que eu pedi pra Deus.
Abaixo a foto desse ser, que é brega, mas é tudo de bom.

Sobre Bandas - Terça-feira, Maio 25, 2004


Eu acho que as bandas brasileiras são muito ruins.Todas? Não, tem algumas raras exceções que eu gosto de ouvir, mas não quero falar delas, quero falar das que eu não gosto, com ênfase nas mais ridiculas, pois falar mal é muito mais divertido. Então vamos lá, eu odeio...

Kid Abelha
Ate reconheço que ouvi essa banda, mais isso foi quando era pré-adolescente, ou seja, quando eu era semi-retardada. Hoje acho a banda um saco e a Paula Toller um c*.

Ira
O vocalista já era um lixo no auge da sua juventude, agora que ele esta velho, gordo e careca então, nem se fala. Podia ter gastado o tempo que ficou no ostracismo para aprender a cantar,mas não, continua tão ruim como antes. Vi a propaganda do cd acústico na tv e quase chorei.

Legião Urbana
Chatíssima, mas eu entendo que existem muitos jovens deprimidos por ai, e que eles precisam desse tipo de musica, pois gostam de pensar que alguém no mundo os entende, e coisas assim.

Capital Inicial
Se eu fosse um desses caras que fizeram sucesso nos anos 80 eu tentaria voltar com uma nova postura,voltar como se o tempo não tivesse passado não dá.
Aquele caquético do Dinho Ouro Preto fazendo pose de vocalista galã não me passa. O que vc faz quando ninguém te vê? Resposta do Dinho:Passo creme anti-rugas.

CPM23, Detonautas, e Cia
Um bando de moleques bem agenciados, que pintam os cabelos, colocam uns piercing e mandam um clipe para MTV. Alguma diferença para o B5? Eu acho que não.

Você tem medo do que? - Quarta-feira, Maio 19, 2004


Andei pensando e conclui que eu sou uma pessoa medrosa. Não, minto, eu sou é muito, muito medrosa. Cheguei essa conclusão depois de ter assistido um filme de suspende esse fim de semana. Quem disse que eu andava sozinha pelo apartamento depois? Entrar no quarto escuro então nem pensar.
Isso não é ridículo? Aos 21 anos espera-se que a pessoa já tenha se livrado daqueles medos que tinha aos 5, mas eu simplesmente não consigo. Embora alguns tenham diminuído em grau, todos continuam aqui, me atormentando.

Tubarão
. Vi todos os filmes do tubarão(JAWS) e hoje tenho certeza que nunca vou poder ser um surfista, porque não consigo ficar muito tempo dentro no mar, achando que um tubarão vai chegar e dilacerar minha perna. Um dia andei de banana boat e quase tive um cardíaco quando aquele troço virou.Culpo o Spielberg por esse meu medo.

Walligator
Crocodilo que depois de uma experiência de laboratório fica enorme, vai morar no esgoto e vira e mexe come um desavisado que pula na piscina à noite, fica perto do esgoto, etc. Lembram desse filme? Pois é, por causa dele passei anos com medo de ralo e ate de ficar sentada no vaso sanitário, achando que o ¿jacaré¿ ia subir pelos tubos e morder minha bunda.

Aranha
Minha mãe não se lembra, mas quando e tinha uns 4 anos eu vi uma aranha enorme subir pela perna ela enquanto ela falava no telefone com meu pai. Não consegui me mover, falar, nada, fiquei paralisada, e a aranha subindo, subindo. Agora eu vivo com medo que um bicho suba pela barra da minha calça e me pique.

Borboleta-Bruxa
Já reparou que ela sempre voa na nossa direção? Pra mim isso é motivo suficiente para teme-la.

Fantasmas em geral
Sim, eu acredito em fantasmas e acho que eles, revoltados com a morte, querem nos machucar, assim como em Sexto Sentido, filme que me fez dormir 2 meses com a TV ligada.

Fantasma especifico-A Loira do Banheiro
Uma mulher morreu, mas ¿aparece¿ no banheiro para estudantes, caso eles sigam um determinado ritual. Nesse ritual é necessário dar 3 descargas, falar três palavrões, e coisas assim, mas basta-me dar uma descarga para ficar com medo e sair correndo do banheiro.

"Beija eu, beija eu, beija eu, me beija..." - Maio 12, 2004


Quando eu era criança eu detestava quando alguém vinha e me beijava, e acho que sabendo disso as pessoas aproveitavam para me beijar ainda com mais fervor, só para me irritar. Alguns para completar comentavam sobre o tamanho das minhas bochechas e davam um beliscão. Ótimo, não?
Os anos se passaram e eu não só tive que me acostumar a ser beijada como tive que começar a beijar também, afinal, faz parte das boas normas de educação, quando cumprimentamos damos um beijinho. Em alguns lugares um só, em outros dois e na minha terra, justo na minha, três, senão não casa.
Sabe quando você não gosta de uma coisa, mas tenta fazer por obrigação? Não? Assim, você odeia jiló, mas a sua mãe sempre prepara e faz um drama se você não comer. Você vai e come, mas com aquela cara de total falta de vontade. Beijinho no rosto pra mim é assim, faço porque sou obrigada, porque se dependesse de mim ele não existiria, a não ser com os meus pais e com namorados, então quando eu o faço as pessoas notam a minha falta de vontade. Meus amigos mais próximos sempre me enchem por causa disso, e um dia desses, eu, o Kenan e a Luciana entramos em um dialogo que eu considero absurdo, com eles tentando me explicar como a coisa funciona. Foi mais ou menos assim:

Lucy: - A Marcela não gosta que fique beijando ela
Eu: - Não é que eu não gosto, eu acho desnecessário.
Kenan: - O mais engraçado é que quando você beija você beija mesmo, não da só aquele estalinho.
Eu: - Ah, então não é pra beijar, é só para fazer barulho?
Kenan: É.
Eu: - Nossa, que coisa falsa.
Kenan: - Não, quando você não gosta muito da pessoa você da só um estalinho, mas quando você gosta muito você da um estalão.
Eu: - Então existe todo um código para um ato bobo que é dar um beijinho no rosto
Os dois: É.
Eu: E vocês não acham isso um absurdo?
Os dois: Não, é normal.
Eu: Acho que um aperto de mão já basta, sem falar que é muito mais eficiente. Da para saber se a pessoa é insegura, se não é, se é do tipo que manda, se é agressiva. E um beijinho, serve pra que? Só pra melar o rosto.
Os dois: Você é muito estranha.

Satisfações - Abril 30, 2004


Esse post é apenas para explicar o motivo que me fez não postar essa semana e não aparecer em blog nenhum.
Comi muito chocolate na páscoa e agora estou fazendo uma dieta desintoxicante, ou seja, estou de mau humor e falta de vontade para tudo. Achei melhor não escrever, com medo de ser processada pelas instituições de proteção a alguma coisa.
Volto semana que vem, já devidamente alimentada.

A vítima perfeita - Abril 16, 2004


Publicitários, não procurem mais.Aqui estou eu, a vítima perfeita, a presa fácil, aquela pra quem vocês consideram mais fácil vender do que roubar doce de criança, o publico alvo para todos os seus produtos.

Close-Up MicroPartículas. Partículas que entram nos vãos dos dentes aumentando a sensação de frescor. Você caiu? Eu sim.
Close-Up Oxy Fhesh. Refrescancia a partir da explosão das bolhas de oxigênio dentro da sua boca. Você comprou? Eu sim. Comprei também a de eucalipto, a de limão, a de estrelinhas...

Sorveteria da Nestlé com pote do Suflair a mostra no freezer.
-Moça, como é esse sorvete Suflair ai? Tem diferença do de chocolate normal?
- Ah tem. Esse aqui é feito com chocolate aerado, sabe?
-Humm. Parece muito bom. Quanto é?
-2 reais.
-Putz, caro. Ah, mas deve ser muito gostoso mesmo, me vê um.
Diferente? Igual a qualquer sorvete de chocolate, inclusive aquele pote de 1 litro que vende nas lojas de 1,99.

Pastas, sorvetes, falsas promoções no Habbis e Mc Donalds, até ai tudo bem, nada se compara a maior trapaça que fui vitima. Lendo os guias, para escolher onde fazer a faculdade, fui procurar o que eu considerava o item mais importante: estágios. No guia da faculdade que eu escolhi tinha os seguintes dizeres: o curso de Radio e TV da Metodista mantém uma política de estágios bastante eficaz. O aluno pode dar inicio à atividade a partir do primeiro ano, contando, para isso, com o auxilio da Metodista e do CIEE- Centro de Integração Empresa Escola. O estagio pode, também, ser realizado na própria Universidade através da Agencia de Radio e TV e da Radio Metodista. Em ambos os casos, promove-se a entrada do graduado no mercado de trabalho.
Há. Fiz meu cadastro no ciee no primeiro semestre, nunca consegui retorno. A agencia de Radio e TV é uma agencia fantasma, ninguém sabe, ninguém viu. A Radio Metodista existe até, mas só toca dentro da faculdade e mesmo assim só em alguns lugares como salas de coordenação de cursos, ou seja, ninguém escuta. Se você fizer um estagio lá tem que ter a consciência que vai estar falando para o nada. Eu sou ou não sou muito trouxa?

Cada uma... - Abril 09, 2004



Teve uma época da minha vida que eu sempre precisava ir ate o Aeroporto de Congonhas. Era divertido porque eu via algumas pessoas conhecidas, a torcida do Corinthians dando baixaria e coisas assim, mas teve uma vez que eu nunca esqueci, guardei como umas das coisas mais estranhas que eu já tinha presenciado na minha vida, uma historia para contar na mesa do bar, para dar risada, para pensar em como o ser humano pode ser ridículo.
Foi mais ou menos assim: eu estava ali na área do desembarque, onde ficam aqueles carinhas perguntando se o pessoal quer taxi. Alguns aceitam, outros recusam e seguem andando. Desembarca então nesse momento um ser estranhíssimo, com uma macacão estilo piloto de avião, inteiro preto, com ombreiras e um cabelo loiro com permanente. Eu costumava descreve-lo como uma mistura do Walter Mercado com o Cid Guerreiro.
O agenciador foi lá perguntar se ele queria taxi. Ele podia simplesmente recusar, mas não, quis fazer uma graça, então falou na maior altura:

- Não meu querido, eu não preciso de taxi. Eu tenho pessoas me esperando, entendeu? Pessoas me esperando. Sinto muito, mas não preciso do seu taxi.

Todo mundo por perto olhou, o cara do taxi ficou super sem graça, foi uma cena, mas tudo bem. Passadas algumas horas eu fui pegar o ônibus e adivinha quem estava lá? Sim , ele mesmo, a mistura do Walter Mercado com o Cid Guerreiro. Dei muita risada.
Bom, a historia poderia ficar por aqui e poderíamos discutir sobre a vaidade, mas não, aconteceu um novo fato esses dias que mudou tudo. Eu não estive perto de um bobo alegre, eu estive perto de uma estrela, ou melhor, o que restou dela.
Como assim? La estava eu, distraída da vida, passeando por um flog de coisas dos anos 80, quando eu vejo o cara. Sim, o cara do aeroporto. Fiquei pasma, eu nunca tinha escutado falar, mas pelos comentários ele era bem conhecido. Era ele, o Ovelha. Minhas mãe disse que ele vivia no Chacrinha. Você se lembra? Quem diria...