Pronto, falei. Acho linda e toda vez que toca na rádio eu aumento o volume para ouvir.
É bobinha e tal, mas nao sei, acho gostosa. Sabe? Então.
Espero que meus amigos não se afastem de mim.
Ando jogando bastante The Sims 3, quer dizer, moderadamemte, porque tenho tendências ao vício. E sabe que quando lançaram, não dei muita bola? Continuei jogando o The Sims 2. Só recentemente reinstalei o 3 e, agora sim, tenho achado bem mais divertido. Tem mais mobilidade, é possível configurar os objetos de infinitas maneiras, e o mais bacana, mais traços de personalidade, que se formam ao longo da vida.Quis ser honesta e comecei o jogo pobre, casa modesta, móveis ruins, somados a dois bebês gêmeos. Resultado: na hora que eles se tornaram crianças apareceu um recado dizendo que por culpa da infância difícil, os meninos desenvolveram traços negativos de personalidade. Um não suportava nudez e o outro não suportava tecnologia.
Eu sei, é idiota, mas eu fiquei chateada. Ok, ok, pode rir, pode criticar. É besta mesmo.
Revoltada com “as injustiças da vida”, resolvi roubar. Coloquei a senha secreta pra ficar rica e pronto. Agora eu tinha uma casa linda com os móveis e os eletrodomésticos mais caros do mercado. Meu terceiro filho tinha tudo pra ser feliz, certo? Errado. Na hora h apareceu o recado dizendo que eu não tinha me dedicado o suficiente e o Bernardo tinha se tornado solitário. Poxa vida, nem todo o dinheiro do mundo era o suficiente? Ele ficou problemático só porque eu não o ajudei a aprender a andar, ou a falar? Eu estava escrevendo um romance! Eu também tenho minhas necessidades, oras...Eles pensam o que, que eu virei mãe e perdi minha individualidade? Que é fácil criar três filhos?
Bobeiras a parte, fiquei refletindo sobre as coisas que me aconteceram na infância e que moldaram pra toda a vida. Por que o que a gente vive no começo da vida é tão importante? Os traumas que me aconteceram na adolescência ou na vida adulta eu passei por cima, mas o que me aconteceu na infância ficou. E não falo de pais ausentes, dinheiro, nada disso. Falo de coisas simples, bobas, aparentemente irrelevantes.
Por exemplo: todo dia quando eu coloco minha colher no copo de Nescau, eu me lembro de quando eu tinha uns 6 anos e fui comer na casa de um parente. Fiz a maior bagunça na hora de misturar o leite e a dona da casa me olhou de um jeito que me fez sentir uma idiota. Uma coisa à toa, mas eu sempre me lembro, todo santo dia, e acho que é por isso que eu não gosto de comidas que façam lambança, de sujar a mão. Não gosto de me sentir idiota.
E por ai se seguem muitos outros porquês, como não usar de saias, não dançar, não gostar de homem baixinho, não gostar de ficar em casa no domingo, não gostar de muita gente estranha reunida, não gostar de esportes, e um tanto de outras coisas, coisas que eu até queria mudar, mas não consigo, não dá pra deletar meu personagem e começar novamente o jogo.
01- Os gêmeos problemáticos: Henrique e Lorenzo
02- Bernardo, o rico ingrato.
03- Eu e Vinícus, que tenho esperança que seja normal.
04- Marco e algum bebê.
Passando minha compras no caixa, escuto a conversa de dois rapazes que trabalham no supermercado aqui do shopping.
-Você viu a passeata pro Aécio?
-Quem?
Aécio Neves.
-Ahn?
-Aécio Neves! Você viu a passeata?
Sou folgada e entrei na conversa:
- Ele nem deve saber quem é o Aécio Neves.
-Não é de duvidar. Jonata, você sabe quem é o Aécio Neves?
-É o dono da trincheira, não é? (referindo-se a trincheira Tancredo Neves, inaugurada há 2 anos)
E sim, estamos em Minas Gerais.


Tem um homem que sempre aparece aqui no shopping com algum garoto. Hoje ele veio mais uma vez. Não posso afirmar que é um menor de idade, pode ser que ele tenha 18, mas pode ser que ele tenha 14, 15.Compra comida, bebida e divide com o menino do dia. Talvez eu tenha assistido Dexter e Cold Case demais, mas o cara me parece suspeito.
Para alguns planejar o ano que está pra chegar é bobagem, mas eu não concordo. Acho importante parar e assimilar os passos certos e os errados. Isso é aprender, é crescer. Não sei quanto a vocês, mas eu gosto da sensação de ter melhorado em algo.
No final de 2008, por exemplo, eu revi meu ano e percebi que estava estressada demais, explodindo a qualquer momento, com qualquer um. Estabeleci que melhoraria em 2009 e melhorei. Não 100%, o que vou explicar daqui a pouco, mas melhorei. Ponto para mim! E seria legal ganhar um campeão de papel laminado, mas me consolo em ter dias mais em paz.
Agora, as metas:
- Sentir menos culpa. Culpa por não visitar os avós, não telefonar para os amigos, por não querer conversar com alguém, por não fazer inglês, por não ter comprado anti-pulga e por ai vai. Cansei.
- Guardar dinheiro pra poder viajar. E se for pra gastar, que seja comigo.
-Não abandonar os tratamentos médicos no meio do caminho.
-Sofrer menos com atitudes egoístas dos outros. Na verdade, sofrer menos com atitudes alheias em geral.
-Ter mais paciência com pessoas da terceira idade. Bom, era sobre isso que eu disse que falaria depois. Melhorei com as crianças mimadas, com as pessoas mal humoradas, mal educadas e as de raciocínio lento, mas ainda não superei meu problema com os velhinhos e velhinhas. Eles me irritam, irritam muito. Não suporto a inflexibilidade e a prepotência, mas vou melhorar. Prometo. Um beijo para todos as velhinhas e velhinhos ranzinzas do meu Brasil.
E é só.

